Índia busca minerais críticos em suas montanhas de lixo eletrônico
A Índia está se voltando para o lixo eletrônico, com a montanha de
resíduos, para extrair minerais críticos como lítio e cobalto, que são usados
na fabricação de smartphones, aviões de combate, carros elétricos e aparelhos
cotidianos.
Temores globais sobre a hegemonia chinesa na produção desses
insumos levaram o país a intensificar a extração em sua campanha para se tornar
um centro mundial de IA.
Baterias descartadas contêm lítio, cobalto e níquel; telas LED têm
germânio; placas de circuito concentram platina e paládio; discos rígidos
guardam terras raras. Esses resíduos são considerados uma "mina de
ouro" de minerais críticos.
Por isso, a Índia está buscando em seu lixo esses materiais, já
que o país gerou quase 1,5 milhão de tonelada de resíduos eletrônicos no ano
passado, segundo dados oficiais. Especialistas estimem que o volume possa ter
sido o dobro
Estimativas do setor indicam que essa "mineração urbana"
poderia gerar até US$ 6 bilhões (R$ 31,4 bilhões) por ano. Embora insuficiente
para suprir toda a demanda, analistas avaliam que pode amortecer choques nas
importações e fortalecer cadeias de suprimento.
Porém a reciclagem informal envolve queimadas a céu aberto, banhos
de ácido e desmontagem sem proteção.
Os trabalhadores ficam expostos a gases
tóxicos e contaminam solo e água, além de parte de os minerais críticos serem
perdidos durante o processo.
"Antes só nos importávamos com o cobre e o
alumínio porque eram os que tinham maior valor no mercado de sucata. Agora
conhecemos o valor desse ímã", afirmou Rizwan Saifi, que atua nesta busca.
FOLHA DE SÃO PAULO