BANCO MASTER


Investigações como a que envolve o Rioprevidência colocam aposentadorias de servidores sob pressão

  • Exposição total do fundo fluminense a instituições ligadas ao Master chegou a R$ 2,9 bilhões
  • Impacto pode gerar desconto extra em salários de servidores dependendo do tamanho do rombo

As suspeitas de crimes financeiros em investimentos feitos no Rioprevidência, fundo de previdência dos servidores do Rio de Janeiro, acendem um alerta para os participantes de outros institutos municipais e estaduais voltados às aposentadorias.

Dezoito deles aplicaram mais de R$ 1,88 bilhão em letras financeiras do Banco Master sem garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) entre outubro de 2023 e dezembro de 2024.

Especialistas em Previdência ouvidos pela Folha afirmam que ter prejuízo com investimento faz parte do jogo. 

O problema é se a rentabilidade fica abaixo da meta de rendimentos do fundo. Com a liquidação do Master, dependendo do tamanho do déficit, a pressão sobre as contas previdenciárias pode obrigar estados e municípios a elevar aportes para os fundos ou ampliar cobranças previdenciárias aos servidores.

"Não sabemos ainda o impacto da liquidação [para cada instituto]. Pode ser previsível e não gerar nenhuma consequência. Ou imprevisível, com desequilíbrio e déficit, e faltar dinheiro", diz o advogado Fábio Berb.

O tamanho do problema deverá ser de fato conhecido no final do ano, avalia Berbel, quando os regimes próprios precisam fazer uma avaliação atuarial e financeira para medir se o patrimônio acumulado é suficiente para bancar aposentadorias e pensões futuras.

"Agora, se 20% de um patrimônio aplicado sofrer perda, provavelmente vai gerar um desequilíbrio", diz Berbel. Cidades como Itaguaí (RJ) estão nesse nível, segundo dados do Ministério da Previdência

FOLHA DE SÃO PAULO
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