Pesquisa na França identifica 15 mil sites falsos
gerados com IA
- Páginas instrumentalizam arquitetura das redes para lucrar com
tráfego e publicidade digital
- Investigação identificou editores que chegaram a receber US$ 2
milhões em três meses com conteúdo ilegítimo
Uma
investigação inédita, conduzida por um jornalista francês, tem ajudado a
entender um desafio ao ecossistema de informação que se aprofundou com a
chegada da IA generativa.
O
trabalho, que acaba de ser divulgado, identificou mais de 15 mil sites falsos
gerados com inteligência artificial —e, em muitos
casos, os textos trazem a assinatura de jornalistas que nem existem.
Conduzido
pelo repórter investigativo Jean-Marc Manach para o site Next.ink, o
levantamento mostra sites que simulam ser veículos de imprensa para publicar
notícias produzidas com IA ou reescritas a partir do conteúdo de terceiros.
O
trabalho listou principalmente páginas em francês, mas também encontrou 1.500
sites em inglês e 200 em alemão, além de outros idiomas.
A maioria, segundo o levantamento, nem é dedicada a
promover desinformação. O principal objetivo é lucrar com publicidade digital e
o tráfego que vem do Google Discover, sistema de recomendação
de conteúdo da big tech que é fonte relevante de audiência para sites de
notícias.
Manach chegou a identificar dois casos de editores
de sites falsos que lucraram mais de US$ 2 milhões (R$ 10 milhões) em três
meses dessa forma.
A pesquisa aponta que o fenômeno é liderado por
profissionais que se especializaram em otimizar conteúdo para que apareça em
destaque em sites de busca, o chamado SEO (otimização de mecanismos de busca,
na sigla em inglês).
Segundo
o levantamento, 75% desses sites são controlados por menos de 300 operadores,
em sua maioria empreendedores individuais ou pequenas empresas.
FOLHA DE SÃO PAULO