PERSPECTIVA SEMANAL


Balanço das reuniões paralelas à convenção do FMI/Banco Mundial 

As discussões paralelas à convenção do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial reforçaram a percepção de um ambiente de elevada incerteza e de maior cautela por parte dos investidores estrangeiros nesta semana. 

A aversão a ativos de risco segue elevada, refletindo o cenário de volatilidade e a falta de clareza sobre os rumos da economia global.

A política comercial da administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, marcada por anúncios e recuos sucessivos, tem intensificado o nível já elevado de incerteza nos mercados. 

O consenso entre investidores e analistas é de que haverá desaceleração do crescimento econômico global — a dúvida que permanece é sobre a intensidade desse movimento.

Questões estruturais de longo prazo também dominaram parte dos debates. Há dúvidas sobre a continuidade dos EUA como principal porto seguro (“safe haven”) do mundo, especialmente em um cenário de maior fragmentação geopolítica. 

A Europa, por sua vez, discute formas de reforçar sua própria capacidade de defesa, enquanto o mercado observa com atenção a atuação da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (OPEP+) em um contexto em que produtores fora do bloco ganham espaço e relevância.

Do lado doméstico, o Banco Central do Brasil (BCB) apresentou um tom ligeiramente mais dovish. 

Em suas manifestações, a autoridade monetária destacou o impacto da incerteza externa e a necessidade de manter a flexibilidade na condução da política monetária. 

O BCB segue preparando o terreno para encerrar o ciclo de alta de juros. Embora ainda projetemos uma elevação de 50 pontos-base da Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), reconhecemos que a probabilidade de uma alta menor, de 25 pontos-base, aumentou. 

O gabarito será dado pelo Copom, mas a sinalização recente sugere que a autoridade monetária busca preservar graus de liberdade em um ambiente de incerteza crescente.

 

Divulgação do PIB do 1º trimestre e dados de mercado de trabalho nos EUA; inflação ao consumidor e taxa de desemprego na Zona do Euro; reunião do BoJ; e dados de mercado de trabalho no cenário local.

Nos EUA, a agenda desta semana acomoda uma bateria de divulgações, com destaque para a pesquisa mensal de abertura de novas vagas de emprego (JOLTS), na terça-feira (29); o Produto Interno Bruto (PIB), o Índice de Preços de Gastos com Consumo (PCE) e a renda e consumo pessoais, na quarta-feira (30); o índice de atividade industrial (ISM), na quinta-feira (1); o Payroll e as encomendas à indústria, na sexta-feira (2). 

A expectativa de mercado para o JOLTS de março é de abertura de 7.490 mil novas vagas, levemente abaixo do observado em fevereiro (7.568 mil). 

O PIB deve crescer 0,4% T/T no primeiro trimestre de 2025, menor que a variação observada no período anterior (de 2,4% T/T). 

A renda pessoal de março também deve vir abaixo da computada em fevereiro (0,4% M/M vs. 0,8% M/M), enquanto o consumo pessoal de março pode ter avançado em um patamar acima do dado de fevereiro (0,6% M/M vs. 0,4% M/M).Já a expectativa para o Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) de março é de variação de estabilidade no dado geral, e de 0,1% M/M no grupo de controle, ambos abaixo de suas respectivas divulgações anteriores (0,3% M/M e 0,4% M/M). 

Já a sondagem de indústria do ISM deve cair de 49 pontos em março para 48 pontos em abril. Para o Payroll de abril, a expectativa é de que 133 mil vagas tenham sido abertas fora do setor agrícola, enquanto no setor privado o número de novos postos de trabalho tenha sido de 120 mil.

Na Zona do Euro, o destaque da agenda de dados desta semana será a divulgação das expectativas de inflação de um e três anos do Banco Central Europeu (ECB), na terça-feira; do PIB do 1° trimestre de 2025, na quarta-feira; e da inflação ao consumidor e da taxa de desemprego, na sexta-feira. 

Para o dado de inflação de março, analistas esperam queda de 0,1% tanto na projeção de um ano quanto na de três anos, consolidando 2,5% e 2,3%, respectivamente. 

O PIB do 1° trimestre de 2025 deve crescer 0,2% T/T na comparação trimestral, e 1,1% M/M no comparativo entre anos. 

Na sexta-feira, será conhecida a leitura preliminar de inflação de abril, que deve avançar 0,5% M/M no mês, ante 0,6% em março. 

O grupo de controle deve ficar em 2,5% A/A no acumulado de 12 meses. Ainda na sexta-feira, deve ser publicados a taxa de desemprego de março e o boletim econômico do ECB. O dado de mercado de trabalho deve permanecer constante em 6,1%.

Na Ásia, o destaque desta semana é a divulgação dos Índice de Gerentes de Compra (PMIs) da China, e a reunião do Banco Central do Japão (BoJ). Os PMIs serão publicados na noite de terça-feira e devem vir menores no mês de abril. 

O mercado espera 49,8 pontos para o PMI da Indústria, 50,7 pontos para o PMI de Serviços, e 49,8 pontos para o PMI de Indústria Caixin. Quanto à reunião do BoJ, analistas esperam manutenção de juros em 0,5%.

No cenário local, dados de mercado de trabalho devem ser os pontos de atenção. 

Na terça-feira, será divulgado o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de abril, que deve cair em -0,11% M/M no mês, contra -0,34 M/M registrados em março. 

Também na terça, será publicado o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de março, com expectativa de que 165 mil vagas de emprego tenham sido abertas. 

Na quinta-feira, acontecerá a divulgação do resultado primário do Banco Central (BCB) de março, os dados de crédito de março e a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de março, que deve registrar uma taxa de desemprego de 7,0%, maior do que a de 6,8% computada em fevereiro.




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