A era da Inteligência Artificial vs. anos 1990: os
limites da tese de produtividade.
O recente debate sobre a condução da política
monetária nos Estados Unidos resgatou as comparações entre o choque de
produtividade da Inteligência Artificial e o ciclo de expansão tecnológica dos
anos 1990, sob a gestão do ex-presidente do Federal Reserve (Fed) Alan
Greenspan.
A tese, alinhada a declarações de figuras como o atual presidente do
banco central norte-americano Kevin Warsh, e o secretário do Tesouro Scott
Bessent, sugere que ganhos relevantes de produtividade expandem a capacidade de
oferta da economia, permitindo que o país cresça com força sem necessariamente
gerar pressões inflacionárias ou demandar juros mais elevados.
No entanto, o sucesso da postura de Greenspan ao
tolerar a atividade aquecida nos anos 1990 esteve fortemente ancorado em um
ambiente de inflação comportada, que frequentemente estava abaixo de 2%.
Além
disso, o pano de fundo estrutural da época era bastante diferente do atual: os
EUA contavam com superávit fiscal, expansão da globalização com queda de
tarifas comerciais e preços de energia contidos.
Hoje, o cenário contempla
déficits públicos elevados, aumento de protecionismo e maior vulnerabilidade a
choques de oferta.
Diante desse contraste, a variável principal para
determinar se o Federal Reserve poderá seguir esse modelo é a trajetória
concreta da inflação.
Caso os índices de preços mantenham uma tendência de
queda gradual e permaneçam sob controle, a tese de Warsh tem espaço para ganhar
força no debate.
Isso permitiria ao Fed atuar de forma menos reativa ao
dinamismo do Produto Interno Bruto (PIB) e do mercado de trabalho, tolerando
dados de atividade mais fortes sem a necessidade imediata de aperto monetário.
Por outro lado, em um cenário em que a inflação
permaneça em patamares mais elevados, em torno de 2,5% ou mais, a estratégia de
ignorar o aquecimento da atividade (look through) torna-se muito mais complexa
de ser defendida.
O histórico mostra que Greenspan não tomou risco
inflacionário; sua tolerância à expansão econômica só ocorreu porque o ambiente
de preços era genuinamente benigno.
Tentar replicar essa postura com a inflação
acima da meta e um entorno fiscal e comercial desfavorável traria riscos elevados
para a autoridade monetária.
Em suma, a possibilidade de o banco central
americano adotar um tom mais brando dependerá estritamente da evolução dos
dados de preços, e não apenas do otimismo com a produtividade da tecnologia.
Se
a inflação permanecer alta, a margem para uma postura benevolente com a
atividade econômica será reduzida, exigindo que o Fed priorize a ancoragem das
expectativas de inflação.
Destaques da semana
Brasil
No panorama doméstico, as atenções se dividem entre
a política monetária, com a aguardada publicação da Ata do Copom, e os dados de
inflação, representados pelo IPCA de julho. A atividade econômica também ganha
os holofotes com a divulgação das pesquisas oficiais de Serviços (PMS) e Varejo
(PMC).
• Segunda-feira: Relatório Focus;
IPC-S CPI (1ª semana de agosto); Balança Comercial (1ª semana de agosto).
• Terça-feira: Ata do Copom; IPCA
(julho).
• Quarta-feira: Pesquisa Mensal
de Serviços - PMS (junho).
• Quinta-feira: Pesquisa Mensal
de Comércio - PMC - Vendas no Varejo (junho).
• Sexta-feira: Sem indicadores
relevantes previstos na agenda.
Estados Unidos
A agenda norte-americana ganha bastante peso a
partir do meio da semana com a divulgação de cruciais dados de inflação ao
consumidor (CPI) e ao produtor (PPI). Além disso, os investidores ficarão
atentos aos números de Vendas no Varejo, à prévia da Confiança do Consumidor de
Michigan e aos discursos de dirigentes do Fed.
• Segunda-feira (10): Sem
indicadores relevantes previstos na agenda.
• Terça-feira (11): NFIB -
Confiança do Pequeno Empresário (julho); ADP Semanal; Vendas de Casas
Existentes (julho).
• Quarta-feira (12): CPI (julho);
Resultado Fiscal (julho).
• Quinta-feira (13): Discursos de
Hammack e Barkin (Fed); Pedidos de Seguro-desemprego Semanal; PPI (julho).
• Sexta-feira (14): Vendas no
Varejo (julho); Confiança do Consumidor da Univ. de Michigan (prévia de
agosto).
Europa
Na Europa, os grandes destaques da semana são as
leituras do PIB do segundo trimestre tanto do Reino Unido quanto da Zona do
Euro. A agenda também conta com dados de produção industrial e balança
comercial, além da inflação final de julho na Alemanha.
• Segunda-feira: Sentix -
Confiança do Investidor da Zona do Euro (agosto).
• Terça-feira: Sem indicadores
relevantes previstos na agenda.
• Quarta-feira: CPI da Alemanha
(final de julho); Conta Corrente da Alemanha (julho).
• Quinta-feira: PIB do Reino
Unido (2º trimestre de 2026); Produção Industrial do Reino Unido (junho);
Produção Industrial da Zona do Euro (junho).
• Sexta-feira: PIB da Zona do
Euro (2º trimestre de 2026); Balança Comercial da Zona do Euro (junho).
Ásia
A agenda asiática começa forte já nesta
segunda-feira, com importantes dados de inflação ao consumidor (CPI) e ao
produtor (PPI) na China. No Japão, o foco recai sobre a conta corrente, pedidos
de máquinas e os dados de inflação ao produtor.
• Segunda-feira: CPI da China
(julho); PPI da China (julho); Conta Corrente do Japão (junho).
• Terça-feira: Sem indicadores
relevantes previstos na agenda.
• Quarta-feira: Pedidos de
Máquinas do Japão (prévia de julho).
• Quinta-feira: PPI do Japão
(julho).
•
Sexta-feira: Sem indicadores relevantes previstos na agenda
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