PERSPECTIVA SEMANAL


O contraste entre decisões de política monetária diante de uma realidade inflacionária persistente e a esperança da reabertura do estreito .

Esta semana será marcada por mais uma "Super Quarta", com as decisões sobre juros no Brasil (Copom) e nos Estados Unidos (Federal Reserve). 

No cenário global, vivemos um momento de alívio diante da perspectiva de um acordo para a crise envolvendo o Irã e da consequente reabertura do Estreito de Ormuz, o que levou à queda dos preços do petróleo. 

No entanto, mesmo com essa melhora no cenário energético, as preocupações com a inflação no Brasil e nos EUA aumentaram desde a última reunião das autoridades monetárias, indicando que parte dos impactos provocados pelos recentes aumentos de custos na economia deve persistir por mais tempo.

No Brasil, o cenário inflacionário segue especialmente complexo, com uma atividade econômica ainda mais forte do que o esperado. 

Esse dinamismo, somado ao anúncio e à implementação de novas medidas de estímulo fiscal e ao risco climático associado a um El Niño forte, provocou uma nova piora nas expectativas de inflação para os anos de 2026 a 2028. 

Em vez de perder força, o panorama mostra pressões persistentes sobre os preços e uma composição ainda complexa, o que reduz o espaço para uma queda mais expressiva dos juros.

Nos EUA, a situação segue em direção semelhante, com dados de emprego (payroll) robustos e a perspectiva de um crescimento do PIB no segundo trimestre acima das projeções iniciais. 

Por lá, o cenário-base para o Fed é de manutenção unânime da taxa de juros, acompanhada de uma avaliação mais positiva sobre o mercado de trabalho e da retirada da sinalização de possíveis cortes de juros no curto prazo. 

A grande expectativa do mercado gira em torno da postura do novo presidente da instituição, Kevin Warsh, cuja credibilidade à frente do Fed pode ser fortalecida caso ele adote uma comunicação mais conservadora nesta estreia.

Diante desse ambiente, o cenário-base é de que o Banco Central do Brasil mantenha o ritmo atual de calibração (aqui seria manutenção? não entendemos a palavra calibração) da taxa Selic, impulsionado por sua já conhecida preferência em continuar cortando os juros. 

Contudo, o cenário de inflação mais desafiador deve levar a autoridade monetária a adotar uma postura estritamente dependente da evolução dos próximos indicadores econômicos. 

Esperamos um comunicado sem indicações explícitas sobre os próximos passos, no qual o comitê sinalizará que avaliará na próxima reunião se a continuidade dos cortes de juros ainda se mostra adequada.

Há, contudo, riscos importantes nos cenários alternativos. Uma postura mais rígida (hawk), com sinalização ou execução de uma pausa nos cortes já nesta reunião, teria o mérito de resgatar, pelo menos em parte, a credibilidade do Banco Central, mostrando que ele reage à deterioração dos riscos em vez de apenas focar no desejo de reduzir juros. 

Em contrapartida, insistir em um tom mais brando (dovish) do que o esperado pelo de mercado e ignorar a piora do cenário para a inflação traria o risco de piorar ainda mais as expectativas.

Destaques da semana

Brasil

No panorama doméstico, as atenções estão voltadas para a decisão sobre a taxa de juros (Copom), a divulgação do índice de atividade econômica do Banco Central (IBC-Br) e os resultados de vendas no varejo (Pesquisa Mensal do Comércio).

•    Segunda-feira: Relatório Focus; Balança Comercial (2ª semana de junho).

•    Terça-feira: FIPE CPI (1ª semana de junho); IPC-S CPI (2ª semana de junho); Vendas no Varejo (abril).

•    Quarta-feira: IBC-Br (abril); Decisão da Taxa de Juros.

Estados Unidos

Na agenda norte-americana, a semana terá a decisão da taxa básica de juros, a divulgação de indicadores de atividade do setor industrial e de dados do mercado imobiliário.

•    Segunda-feira (15): Índice Empire Manufacturing (junho); Produção Industrial (maio).

•    Terça-feira (16): ADP Semanal; Preços de Importados (maio); Concessão de Alvarás (prévia de maio).

•    Quarta-feira (17): Decisão da taxa de juros.

•    Quinta-feira (18): Pedidos de Seguro Desemprego; Índice de Atividade de Serviços do Fed Filadélfia (junho); Indicador Antecedente (maio).

Europa

No continente europeu, o calendário destaca a decisão da taxa de juros do Reino Unido, a divulgação de leituras de inflação e de dados de produção industrial, além de discursos de dirigentes do Banco Central Europeu (BCE).

•    Segunda-feira: Produção Industrial da Zona do Euro (abril); discursos de Christine Lagarde, Piero Cipollone, Álvaro Santos Pereira e Martin Kocher (BCE).

•    Terça-feira: Pesquisa Zew da Alemanha (junho); discursos de Philip R. Lane e Olaf Sleijpen (BCE).

•    Quarta-feira: CPI do Reino Unido (maio); discurso de Olaf Sleijpen (BCE).

•    Quinta-feira: Taxa de Desemprego do Reino Unido (abril); decisão da taxa de juros do Reino Unido; discurso de Martin Kocher (BCE).

•    Sexta-feira: Confiança do Consumidor do Reino Unido (junho).

Ásia

A semana na Ásia terá a decisão de taxa de juros do Japão, a divulgação de dados relativos à produção industrial e vendas no varejo na China, e a inflação ao consumidor japonês.

•    Terça-feira: Vendas no Varejo da China (maio); Produção Industrial da China (maio); decisão da taxa de juros do Japão.

•    Quarta-feira: Pedidos de Máquinas do Japão (abril).

•    Sexta-feira: Natl CPI do Japão (maio).



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