'As pessoas votam em candidatos que não são bons
para elas', diz Nobel de Economia.
Daniel Kahneman
falou a empresários e investidores brasileiros em São Paulo.
As pessoas votam em
candidatos que na verdade não são bons para elas", disse nesta terça-feira
(30) o psicólogo israelense Daniel Kahneman, prêmio Nobel de Economia, para uma
plateia de empresários e investidores brasileiros que participavam de um evento
da B3, a Bolsa de Valores brasileira, e da empresa de análise de dados Neoway,
em São Paulo.
Kahneman usou o
exemplo de uma eleição para explicar sua mais conhecida pesquisa sobre
raciocínio e intuição, que resultou no best-seller "Rápido e Devagar - Duas Formas
de Pensar" (ed. Objetiva, R$ 49,90).
Autoridade mundial
em economia comportamental, o psicólogo afirmou que seres humanos podem até ser
razoáveis em suas decisões, mas não são racionais do ponto de vista técnico, ou
seja, não tomam decisões usando dados de forma estatística, como fazem os
programas de computador.
Ainda retomando
pontos de sua teoria, Kahneman explicou que há dois sistemas de pensamento.
O
primeiro é intuitivo e determina a maior parte das decisões humanas. É
importante que esse sistema seja assim para a execução da maior parte das
ações, como dirigir. Esse é o modo rápido de pensar.
"Não parece
que é uma coisa que você está fazendo, parece que é algo que acontece com
você", disse.
Quando é necessário pensar profundamente sobre
diferentes dados para tomar uma decisão, é o segundo sistema que entra em ação.
É o pensamento mais lento que faz —ou deveria fazer— as escolhas complexas.
"Pensar
devagar é algo que você faz. Algo que você demanda a si mesmo quando precisa
resolver um problema", disse.
Esse raciocínio
lento, porém, não é natural e exige esforço. Por isso, na maioria das vezes, as
pessoas delegam ao sistema que pensa rápido uma tarefa cuja complexidade
exigiria uma avaliação mais demorada.
A escolha de
candidatos que não representam os interesses de quem vota é um exemplo das
consequências disso.
Kahneman ainda
falou sobre as falhas no julgamento humano e o processo sistemático de decisões
equivocadas tomadas em organizações, tema que ele trata no livro Ruído: uma falha no julgamento humano (ed.
Objetiva, R$ 52,90), escrito em parceria com os professores Cass Sunstein e
Olivier Sibony.
FOLHA DE SÃO PAULO