Banco Central
mantém o tom cauteloso em comunicado, mas mercado foca na incerteza das
projeções.
O Comitê de
Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) manteve a taxa Selic em 15% na
semana passada, decisão em linha com as expectativas do mercado e com o nosso
cenário-base.
O comunicado que acompanhou a decisão não trouxe nenhuma
alteração relevante de tom, e a projeção de inflação para o horizonte relevante
permaneceu em 3,3%, conforme o esperado.
Um ponto que
chamou atenção do mercado foi a leve alta da projeção de inflação de preços
livres para 2026, o que levantou a hipótese de que o BC já possa ter
incorporado em seus modelos o impacto da ampliação da faixa de isenção do IRPF.
Caso isso se confirme, poderia indicar uma “barra mais baixa” para o início dos
cortes de juros em janeiro.
Na nossa
avaliação, essa leitura superestima o peso das projeções: no fim das contas, o
que realmente determinará espaço para cortes será o comportamento dos dados,
especialmente o ritmo de desaceleração da atividade e o avanço da desinflação.
Mantemos a visão de que não há espaço para cortes da Selic por enquanto.
O comunicado
manteve tom de cautela e reafirmou o compromisso com a meta de inflação,
reconhecendo a melhora recente dos indicadores, mas destacando que a ela
permanece acima do objetivo.
O Copom enfatizou a importância de manter juros
elevados por um período prolongado, até que a convergência inflacionária esteja
firmemente assegurada.
No curto prazo,
a barra para cortes da Selic em janeiro ficou um pouco mais alta, embora ainda
haja tempo e dados a serem observados até lá.
Mantemos nossa projeção de início
do ciclo de cortes em março, com taxa terminal de 11,5%, mas com viés altista, diante
da persistência de incertezas no cenário doméstico e internacional.
Destaques da
semana
Brasil:
A agenda
doméstica será marcada pela divulgação de dados de inflação e atividade, além
da ata do Copom.
• Segunda-feira: FGV CPI IPC-S (1ª semana de
novembro); Relatório Focus; Balança Comercial semanal (1ª semana de novembro).
• Terça-feira: IPC-Fipe (1ª semana de
novembro); IPCA (outubro); ata do Copom.
• Quarta-feira: Pesquisa Mensal de Serviços
(setembro).
• Quinta-feira: Vendas no Varejo (setembro);
Anfavea (outubro).
Estados Unidos:
A agenda da
semana será marcada por diversos discursos de membros do Federal Reserve (Fed),
além da divulgação de dados de confiança do pequeno empresário (NFIB) e o
Resultado Fiscal Federal. A publicação de diversos indicadores segue suspensas
em razão do shutdown.
• Segunda-feira (10): Discurso de Alberto
Musalem (Fed).
• Terça-feira (11): NFIB - Confiança do
pequeno empresário (outubro).
• Quarta-feira (12): Discurso de John C.
Williams, Anna Paulson, Christopher J. Waller, Raphael W. Bostic, Stephen I.
Miran, Michael S. Barr e Susan M. Collins (Fed).
• Quinta-feira (13): Discurso de Alberto
Musalem e Elizabeth Hammack (Fed); Resultado Fiscal Federal (outubro).
• Sexta-feira (14): Discurso de Raphael W.
Bostic e Jeffrey R. Schmid (Fed).
Europa:
Na Zona do Euro
e Reino Unido, a semana trará dados de inflação, atividade e sentimento, além
de uma agenda carregada de discursos de membros do Banco Central Europeu (BCE).
• Segunda-feira: ILO Taxa de desemprego do
Reino Unido (setembro); Pesquisa Zew da Alemanha (novembro); Discurso de Martin
Kocher, José Luis Escrivá, Boris Vujčić e Olaf Sleijpen (BCE); Pesquisa Zew da
Zona do Euro (novembro).
• Terça-feira: CPI da Alemanha (outubro).
• Quarta-feira: Discurso de Isabel Schnabele
e Luis de Guindos (BCE); Conta Corrente da Alemanha (setembro).
• Quinta-feira: PIB do Reino Unido (3º
trimestre); Produção Industrial do Reino Unido (setembro); Balança Comercial do
Reino Unido (setembro); Produção Industrial da Zona do Euro (setembro);
Discurso de François Villeroy de Galhau e Frank Elderson (BCE).
• Sexta-feira: Discurso de José Luis Escrivá,
Boris Vujčić, Philip R. Lane e Frank Elderson (BCE); PIB da Zona do Euro (3º
trimestre); Balança Comercial da Alemanha (setembro); Balança Comercial da Zona
do Euro (setembro).
Ásia:
Na Ásia, o foco
se volta para a divulgação dos indicadores de inflação e atividade da China,
além de dados de contas externas do Japão.
• Segunda-feira: PPI da China (outubro); CPI
da China (outubro); Índice Econômico do Japão (parcial de setembro).
• Terça-feira: Conta Corrente do Japão
(setembro); Balança Comercial do Japão (setembro).
• Quarta-feira: PPI do Japão (outubro).
• Sexta-feira: Vendas no Varejo da China
(outubro); Produção Industrial da China (outubro).
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