Os profissionais da área
atuarial dos fundos de pensão deverão assumir um papel cada vez mais relevante
nos esforços de fomento da previdência complementar fechada. Por meio de um
trabalho prático, calcado em estudos, pesquisas, debates e sugestões a
serem feitas no âmbito da Abrapp, a expectativa é de que possam ser apontadas
soluções para superar a atual situação de estagnação do sistema. Com essa
finalidade, a Comissão Técnica Nacional de Atuária (CTNA) da Abrapp elaborou um
programa de trabalho robusto a ser desenvolvido em 2017, o “Plano Atuarial de
Fomento da Previdência Complementar Brasileira”, que está alinhado ao “Plano
Nacional de Fomento da Previdência Complementar”.
“No atual cenário, em que
os fundos de pensão deixaram de apresentar o crescimento esperado ao longo dos
últimos anos, é preciso encontrar caminhos para que a previdência complementar
fechada possa se reinventar, voltar a crescer”, observa a diretora-executiva da
Abrapp responsável pela CTN de Atuária, Liane Câmara Matoso Chacon.
Na busca por esse
objetivo, o ambiente associativo será fundamental, diz a diretora. Ela lembra
que a Abrapp tem assumido um importante protagonismo na sociedade civil
para conscientizar o Estado brasileiro a respeito do papel que os fundos de
pensão representam, inclusive sob o ponto de vista da melhoria dos aspectos
sociais e econômicos do país. Entretanto, superar a estagnação e voltar a
crescer é um desafio que exige a iniciativa integrada das Comissões Técnicas
tanto a nível nacional quanto regional. “Estamos conclamando todas as CTs a
contribuirem para que possamos juntos alavancar a previdência complementar
fechada no Brasil”, enfatiza Liane.
No programa desenhado pela
CTNA, seis grupos de trabalho (GTs) já foram instalados e irão produzir
conteúdo que será consolidado, no final deste ano, no documento “Atuária a
Serviço do Fomento da Previdência Complementar”. Esse documento, com
várias propostas, será entregue formalmente ao órgão responsável pela
implementação de políticas de previdência complementar no País.
Cada grupo de trabalho,
composto por membros da Comissão, seguirá um cronograma de ações pré-definido
mas, embora cada um deles vá cuidar de temas específicos, haverá uma
interligação permanente de seus debates, uma vez que os vários assuntos
discutidos também mantêm uma forte correlação.
Modelagem e fomento - Um dos grupos
será responsável pelo tema da modelagem e fomento, devendo realizar pesquisas
nacional e internacional além de mapear planos de benefícios e fazer análise de
produtos oferecidos tanto pelo sistema no Brasil quanto pela previdência complementar
fechada em outros países (seguros, anuidades, etc).
Ao final, será elaborada
uma proposta de modelagem para a criação de um novo plano complementar fechado.
“As ações e demandas também serão repassadas às Comissões Técnicas Regionais de
Atuária, de modo que todos terão que se envolver com esse trabalho”, explica a
diretora.
Ambiente normativo e ENA- Um dos grupos abordará o
ambiente normativo que rege o segmento no Brasil, procurando analisar as normas
já existentes mas também sugerir alterações e melhorias. A ideia é avaliar tudo
o que poderá ser eventualmente aperfeiçoado no que diz respeito a benefícios,
aspectos contábeis e tributários. Outro grupo será responsável pela organização
do Encontro Nacional de Atuária (ENA), evento bianual que ocorrerá pela segunda
vez agora em 2017.
“No Encontro deste ano o
tema escolhido para os debates é justamente o fomento e o papel do atuário, o
que deverá resultar na produção de um relatório bastante rico em conclusões
para integrar o documento final da CTNA”, sublinha Liane.
CNA, IBA e SPPC – O quarto grupo de
trabalho irá representar a Abrapp junto à Comissão Nacional de Atuária – CNA –
da Previc (Superintendência Nacional de Previdência Complementar) ao longo do
exercício de 2017. A intenção é apresentar uma pauta voltada às questões do
fomento, por meio de discussões e elaboração de estudos técnicos que poderão
inclusive aproveitar o resultado do trabalho dos demais grupos da CTNA.
Um quinto GT irá atuar
junto ao Instituto Brasileiro de Atuária – IBA - com o objetivo de
integrar o Instituto ao esforço da CTNA e, desse modo, agregar uma visão macro
das questões atuariais ao trabalho de todos os grupos envolvidos.
E finalmente, o sexto GT cuidará de levar toda a
discussão em torno do fomento à agenda atuarial da Secretaria de Políticas da
Previdência Complementar (SPPC). A meta é fazer com que todas as propostas
apresentadas pela CTNA sejam avalizadas pela Abrapp e em seguida encaminhadas
ao Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC).
Diário dos Fundos de Pensão