A conta fecha?
A tributação sobre dividendos iniciou o ano com uma arrecadação
tímida, segundo dados da Receita Federal. Será, então, que dá para dizer que a
medida não consegue compensar a reforma feita no Imposto de Renda?
Antes, precisamos voltar algumas casas. No ano passado, o
presidente Lula sancionou uma lei que altera regras do IR e entrou em vigor em
2026.
↳ A reforma prevê a isenção do
pagamento do imposto para quem ganha até R$ 5.000 e um desconto para a faixa
salarial de R$ 5.001 a R$ 7.350.
A estimativa é que o governo deixará de arrecadas R$ 28 bilhões
com essa medida.
Para compensar… O governo criou o Imposto de Renda Mínimo, uma
cobrança anual que recai sobre pessoas físicas com rendimentos acima de R$ 600
mil, o que equivale a mais de R$ 50 mil por mês. A taxa que sobre o valor é de,
no máximo, 10%.
O tributo, por ser anual, será recolhido apenas na declaração de
2027. E, para que as perdas de 2026 não impactem o governo, há uma alíquota
cobrada mensalmente sobre dividendos na fonte, dinheiro pago por empresas a
investidores.
Uma taxa de 10% é cobrada se o valor passa de R$ 50 mil. Com essa
medida, a expectativa é arrecadar R$ 30 bilhões em todo o ano.
Em detalhes, a projeção do governo é de obter:
• R$ 23,8 bilhões com a taxação
mensal de dividendos pagos à pessoa física;
• R$ 6,2 bilhões com a taxação das
remessas enviadas ao exterior.
Qual o problema?
Em janeiro e fevereiro, essa cobrança rendeu R$ 121,7 milhões aos
cofres públicos. A cobrança sobre esses dividendos enviados para fora do país
gerou R$ 35,2 milhões em arrecadação.
Se você fez as contas, percebeu que os valores estão bem abaixo da
expectativa, e o resultado gera dúvidas se a medida consegue compensar
efetivamente a mudança.
Sim, mas… Como a taxação mensal passou a valer em 2026, muitas
empresas aceleraram a distribuição dos lucros no ano passado. Dividendos
referentes a exercícios anteriores a este ano também não estão sujeitos a
imposto, mesmo se forem distribuídos ao longo de 2026.
Não se sabe se os resultados dos dois primeiros meses serão uma
regra ou exceção. Por isso, não dá para ter certeza se as expectativas sobre a
arrecadação na distribuição de dividendos foram totalmente frustradas, diz a
Receita.
FOLHA MERCADO