PF sugere investigar se deputado atuou para
desbloquear contas de entidade no caso INSS
- OUTRO LADO Fausto Pinato afirma que não há uma prova de atuação a
favor da Conafer: 'Apenas ilações e suposições'
- Parlamentar é citado como 'assessor nosso' em mensagens entre
presidente de confederação e operador financeiro, aponta investigação
A
PF (Polícia Federal)
recomendou a abertura de um inquérito para apurar a possível prática de
advocacia administrativa pelo deputado federal Fausto Pinato (União Brasil-SP)
em favor da Conafer (Confederação
Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais), uma
das entidades investigadas por suspeita de fraudes nos descontos associativos
no INSS (Instituto
Nacional do Seguro Social).
A
Conafer foi a segunda entidade que recebeu mais
descontos em aposentadorias no INSS, cerca de R$ 484 milhões
entre 2019 e 2024, segundo levantamento da CGU (Controladoria-Geral da União).
Na
investigação, que tramita no STF (Supremo Tribunal Federal) sob a relatoria do
ministro André Mendonça, a PF encontrou mensagens trocadas entre Carlos Lopes,
presidente da Conafer, atualmente foragido, e Cícero Santos, operador
financeiro da entidade, que citavam o deputado. Tanto Cícero
quanto Carlos foram indiciados na investigação nesta terça-feira (14) pela PF.
Cabe
a Mendonça decidir sobre a abertura de inquérito para investigar a suspeita
levantada pela pela PF em relação a Pinato.
Nas
mensagens, os dois discutiam um bloqueio judicial de valores da confederação.
Para resolver a situação, Carlos disse que iria a São Paulo falar com o
"assessor nosso lá", o deputado Pinato. Mais tarde, Carlos diz em
mensagem de áudio que "nosso deputado conseguiu acionar lá a presidência e
vão desbloquear excepcionalmente".
FOLHA DE SÃO PAULO