Cortella faz 50 anos de carreira com nova biografia
e encarando falsificações de IA.
Educador com 3,5
milhões de cópias vendidas divulga livro que narra sua trajetória de forma
acessível para diferentes gerações
Rotineiramente, às 4h, o filósofo e professor Mario
Sergio Cortella, 71, desperta e começa seus rituais matutinos, entre eles
navegar pelas plataformas digitais.
Invariavelmente, ele encontra a própria
voz, fisionomia e pensamentos manipulados pela inteligência artificial em postagens variadas.
"Não recuso nenhum uso da inteligência artificial desde que ela
seja algo que favoreça o automatismo.
Automático significa fazer uma série de
operações que poupam a mim o esforço e o tempo. Autônomo significa fazer por
mim sem que eu possa escolher", diz ele.
Com 54 obras publicadas e cerca de 3,5 milhões de
cópias vendidas, ele se empenha agora em divulgar uma biografia ilustrada que conta de forma
simples, colorida e com frases reflexivas sua trajetória.
"Tenho fama, mas eu não quero que ela me
tenha", diz, em entrevista à Folha. "Tenho condição
econômica, mas não quero ser por ela tido.
Tenho respeito, sim, mas não quero
ser tido a ponto de conduzir a arrogância. Não quero ser servo daquilo que eu
quero criar. Aquilo que me sirva, não que eu sirva".
Sobre a obra "Cortella - O Professor que Levou
a Sala de Aula para o Mundo", de Simara Rascalha Casadei, com desenhos de
Ednei Marx, publicado pela editora Cortez, o filósofo se
entusiasma com o formato por, segundo ele, atender a quem hoje é um dos seus
principais públicos, os mais jovens.
"Algumas
trilhas você escolhe, outras surgem à sua frente. Nesse percurso, surgiu a
ideia de uma biografia ilustrada que pudesse alcançar diferentes faixas etárias
de modo que todos compreendessem.
Percebi que seria possível incluir elementos
que também contemplassem, especialmente, os professores e tantas pessoas que já
assistiram às suas palestras", afirma ela.
FOLHA DE SÃO PAULO