PERSPECTIVA SEMANAL


Divergência dos preços das commodities tende a se manter.

Em 2025, os preços das commodities seguiram trajetórias bastante distintas no mercado internacional. 

Enquanto metais preciosos, como ouro e prata, acumularam valorizações expressivas — de 64% e 141%, respectivamente —, algumas commodities energéticas, como o petróleo, registraram quedas relevantes, da ordem de 19%. 

Esse movimento reflete um conjunto de mudanças estruturais, regulatórias e geopolíticas que vêm redesenhando o cenário global.

No caso do petróleo, a retração dos preços ocorre mesmo em um contexto de crescimento econômico global relativamente resiliente e da persistência de conflitos no Oriente Médio — uma combinação historicamente pouco comum. 

A dinâmica recente, no entanto, tem sido dominada pelo lado da oferta, com expansão significativa da produção tanto dentro quanto fora da (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) OPEP. 

Fora da OPEP, destacam-se os aumentos de produção em países como Estados Unidos, Guiana e Brasil, com destaque para os EUA, onde mudanças regulatórias associadas ao início do governo Trump estimularam a produção de petróleo de xisto.

Já no caso dos metais preciosos, a forte valorização dos preços ocorre de forma atípica do ponto de vista histórico, sem um aumento proporcional da aversão global ao risco. 

Essa tendência vem se consolidando desde 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia, e ganhou ainda mais intensidade em 2025. 

O episódio representou uma inflexão relevante na percepção de risco geopolítico, sobretudo após o congelamento de reservas internacionais e ativos russos mantidos em instituições financeiras ocidentais.

Nesse contexto, ouro e prata voltaram a ser percebidos como ativos de proteção patrimonial por uma parcela relevante do capital global. 

Bancos centrais intensificaram suas compras, enquanto famílias e investidores de países menos alinhados ao Ocidente — com destaque para a China — ampliaram de forma significativa a demanda por metais preciosos. 

A elevação da incerteza geopolítica associada ao segundo mandato de Donald Trump contribuiu para reforçar esse movimento.

Dessa forma, novos fundamentos passaram a moldar a dinâmica dos preços das commodities globais, afastando-os de variáveis tradicionais que, ao longo das últimas décadas, explicavam seu comportamento, como crescimento econômico global e os indicadores de aversão ao risco.

DESTAQUES DA SEMANA 

Brasil:
No Brasil, a agenda será marcada pela divulgação do IPCA, dos dados de produção industrial e de indicadores setoriais.
•    Segunda-feira: IPC-Fipe (dezembro); PMI de Serviços (dezembro).
•    Terça-feira: Balança Comercial (dezembro).
•    Quinta-feira: FGV CPI IPC-S (1ª semana de janeiro); IGP-DI (dezembro); Produção Industrial (novembro); Fenabrave (dezembro).
•    Sexta-feira: IPCA (dezembro).

Estados Unidos: 
A agenda da semana nos Estados Unidos será marcada pela divulgação de dados do mercado de trabalho, além de indicadores de atividade dos setores de manufatura e serviços.

•    Segunda-feira (5): ISM de Manufatura (dezembro).
•    Terça-feira (6): PMI de Serviços (final de dezembro); discurso de Thomas Barkin (Fed).
•    Quarta-feira (7): ADP - Emprego no Setor Privado (dezembro); ISM de Serviços (dezembro); JOLTS (novembro); Encomendas de Bens Duráveis (final de outubro).
•    Quinta-feira (8): Produtividade (3º trimestre); Balança Comercial (outubro); Crédito ao Consumidor (novembro); Pedidos de Seguro Desemprego (1ª semana de janeiro); Estoques do Atacado (final de outubro).
•    Sexta-feira (9): Payroll (dezembro); Concessões de Alvarás (outubro); Novas Construções Residenciais (outubro); Confiança do Consumidor da Univ. de Michigan (prévia de janeiro); Taxa de Desemprego (dezembro); Riqueza das Famílias (3º trimestre).

Europa:
Na Zona do Euro e Reino Unido, os principais destaques serão os dados de inflação, os indicadores de atividade do setor de serviços e vendas no varejo.
•    Terça-feira: HCOB PMI de Serviços da Alemanha (final de dezembro); CPI da Alemanha (prévia de dezembro); HCOB PMI de Serviços da Zona do Euro (final de dezembro); S&P Global PMI de Serviços do Reino Unido (final de dezembro); discursos de Piero Cipollone e François Villeroy de Galhau (BCE).
•    Quarta-feira: Vendas no Varejo da Alemanha (novembro); CPI da Zona do Euro (prévia de dezembro).
•    Quinta-feira: Encomendas à Indústria da Alemanha (novembro); Expectativa de Inflação da Zona do Euro (novembro); Confiança do Consumidor da Zona do Euro (dezembro); PPI da Zona do Euro (novembro); Taxa de Desemprego da Zona do Euro (novembro).
•    Sexta-feira: Produção Industrial da Alemanha (novembro); Balança Comercial da Alemanha (novembro); Vendas no Varejo da Zona do Euro (novembro); discurso de Philip R. Lane (BCE).

Ásia:
Na Ásia serão divulgados os indicadores de inflação da China e dados de atividade do Japão.
•    Segunda-feira: S&P PMI de Manufatura do Japão (final de dezembro); RatingDog PMI de Serviços da China (dezembro).
•    Quarta-feira: S&P PMI de Serviços do Japão (final de dezembro).
•    Quinta-feira: Salários do Japão (novembro).
•    Sexta-feira: PPI da China (dezembro); CPI da China (dezembro).

 

 



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