Três em cada dez MEIs abertas são de trabalhadores
que tinham carteira assinada
- Modalidade é adotada por empregadores por ter carga tributária
reduzida; perda foi de R$ 105 bi de 2022 a 2025
- Governo defende migrar tributação para outro parâmetro com objetivo
de compensar 'pejotização'
Estudo
do Ministério do Trabalho aponta que cerca de um terço
(30%) dos MEIs (microempreendedores individuais)
existentes hoje são trabalhadores que tinham carteira de trabalho assinada até
se converterem em pessoas jurídicas (PJs).
Segundo
a pasta, 5 milhões de trabalhadores desligados de janeiro de 2022 a março de
2026 migraram do regime CLT para o PJ. A mudança ocorreu no mesmo mês ou no mês
subsequente ao desligamento. Hoje, há 16,75 milhões enquadrados como MEI.
A
migração para o regime jurídico, parte do fenômeno da "pejotização",
gerou uma perda de R$ 105 bilhões em arrecadação de janeiro de 2022 a julho de
2025, segundo estimativa do governo federal.
A
perda considera uma queda na contribuição de empresas e trabalhadores em
Previdência, FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de
Serviço) e no Sistema S. Os dados constam de estudo do MTE obtido pela Folha com
estimativas próprias e da Receita Federal.
A Reforma Trabalhista de 2017 autorizou que MEIs
fossem admitidos como prestadores de serviço para as empresas, contanto que
atuassem como autônomos e sem subordinação.
Por padrão, o MEI paga ao INSS (Instituto Nacional do Seguro
Social) uma contribuição de 5% do salário-mínimo vigente.
FOLHA DE SÃO PAULO