Brasil ganhou 9 milhões de novos inadimplentes
desde o fim do Desenrola
- Número de pessoas que deixaram de pagar dívidas subiu de 72,5
milhões em maio de 2024 para 81,7 milhões em 2026, segundo a Serasa
- Para especialistas, programa foi medida paliativa ao atacar apenas
os sintomas do superendividamento
O
alívio foi temporário.
Quase dois anos após o fim do Desenrola, programa de
renegociação de dívidas criado pelo governo federal em julho de 2023, o Brasil
ganhou 9 milhões de novos inadimplentes, e convive com um calote do consumidor
no maior patamar desde 2012.
Hoje há um contingente de 81,7 milhões de pessoas
que estão com contas atrasadas.
O
governo agora debate a
reedição de um programa voltado para endividados que, para
especialistas, foi pensado desde o início para atacar os sintomas e não a raiz
do superendividamento.
Promessa
de campanha do governo Lula, o Desenrola foi lançado com o objetivo de combater a inadimplência crescente
do pós-pandemia.
Na época, o número de inadimplentes estava no patamar recorde
de 71,4 milhões, segundo dados da Serasa, e a inadimplência era de 4,14%
(índice de contas com mais de 90 dias em atraso).
O
programa durou cerca de 10 meses e conseguiu reduzir o número de inadimplentes
que ganhavam até dois salários mínimos ou eram inscritos no Cadastro Único de 25,2 milhões
para 23,1 milhões quando terminou, em maio de 2024. Esse era o
público-alvo do Desenrola.
O
número total de devedores, de todas as faixas de renda, subiu a 72,5 milhões,
enquanto o calote acima de 90 dias se reduziu a 3,69%.
FOLHA DE SÃO PAULO