Em tempos de guerra do Irã, o agronegócio
brasileiro encontrou uma alternativa para desviar sua produção após o bloqueio
do estreito de Hormuz, um dos principais corredores comerciais do mundo.
O que aconteceu?
As exportações para o Oriente
Médio precisaram ser redesenhadas por causa das dificuldades logísticas. Em
fevereiro e março, considerando as nações próximas ao conflito, houve:
• Queda de mais de
20% nas vendas de carne bovina
• Redução de 18,5%
nas exportações de frango
A região é uma grande consumidora de carne de
frango, açúcar e grãos brasileiros. Dos US$ 21,34 bilhões em produtos vendidos
aos países árabes em 2025, US$ 15,91 bilhões (72%) são agricultura e pecuária.
Quem entrou em cena, então? O mar Vermelho, antes
usado como rota secundária. Agora, ele assumiu papel central na redistribuição
das cargas.
Em vez de os navios seguirem diretamente para os
portos do Golfo, atracam na costa oeste da Arábia Saudita. A partir dali, as
mercadorias seguem por transportes terrestres até o destino final. Em muitos
casos, barcos menores são usados para o transporte regional.
Nas últimas semanas, grandes armadores consolidaram
acordos com a Arábia Saudita para entrar na região pelo mar Vermelho.
• 80% do volume foi
enviado por caminhos alternativos, segundo Ricardo Santin, presidente da ABPA
(Associação Brasileira de Proteína Animal).
Pesando no bolso… As mudanças de rota impactaram os
custos de transporte. O frete de um contêiner refrigerado saltou de cerca de
US$ 3.000 para mais de US$ 7.000, afirma Roberto Perosa, presidente da Abiec
(Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes).
… de quem? Por enquanto, valores extras são
absorvidos pela maioria dos importadores, diz Santin.
FOLHA MERCADO