Ozempic à brasileira
Nesta semana, a farmacêutica EMS
deu um passo à frente das concorrentes na corrida pelo mercado dos
emagrecedores.
A Anvisa (Agência Nacional de
Vigilância Sanitária) registrou o Ozivy, primeiro medicamento da indústria
nacional à base de semaglutida, princípio ativo do Ozempic.
Rebobinando…
A dinamarquesa Novo Nordisk
perdeu o direito exclusivo de explorar e comercializar a substância em 20 de
março, o que abriu espaço para que outras companhias produzam o item.
↳ A semaglutida é um medicamento semelhante ao GLP-1, hormônio produzido
naturalmente pelo corpo. Ele atua ao controlar a glicose e a sensação de
saciedade.
No ano passado, o governo
interveio diretamente na disputa pelo mercado. A agência de vigilância passou
na frente da sua fila de análise 20 pedidos de remédios emagrecedores contendo
a substância do Ozempic e a liraglutida, após pedido do Ministério da Saúde.
O movimento aconteceu dias
depois de o ministro Alexandre Padilha (PT) fazer uma espécie de propaganda dos
emagrecedores de liraglutida que a EMS havia lançado.
Ficha técnica...
A caneta é voltada ao tratamento
do diabetes, mas a companhia ainda deve pedir autorização para seu uso na perda
de peso. O produto será apresentado como solução injetável, administrada
semanalmente.
… e raio-x da empresa. A EMS é a
maior farmacêutica do país e começou a investir na tecnologia ligada às canetas
emagrecedoras há 12 anos. Até o momento, o aporte destinado ao setor chega a R$
1,2 bilhão.
Agora, espera dobrar sua receita
registrada no ano passado com a venda do remédio. A empresa tem capacidade de
entregar 40 milhões de canetas por ano. A expectativa é distribuir 1,2 milhão
de unidades em 2026.
O produto tende a superar R$ 500
milhões em faturamento no primeiro ano, diz o vice-presidente da EMS, Marcus
Sanchez.
Próximos passos.
A companhia afirma que a caneta
será lançada em um mês e será 30% mais barata do que o Ozempic. O medicamento
da Novo Nordisk tem preços que variam de R$ 800 a R$ 1.000 na versão de 1 mg.
Existe a intenção do governo de
levar o produto ao SUS (Sistema Único de Saúde). Por enquanto não há nenhuma
definição sobre a venda para a rede pública, explica Sanchez.
E a Novo Nordisk? Não cruza os
braços para o avanço dos concorrentes. Para se fortalecer no mercado, a
dinamarquesa fez uma parceria com a Eurofarma para o lançamento dos
medicamentos Poviztra para perda de peso e Extensior para diabetes.
FOLHA DE SÃO PAULO