Bancos e escritórios de advocacia reforçam áreas
que cuidam de créditos na UTI
- Casas Bahia, Braskem, Raízen e GPA tentam reestruturar bilhões em
crédito
- Santander amplia time e monitora 1.500 empresas em dificuldade
Bancos e escritórios de advocacia estão se
reorganizando e reforçando equipes que cuidam de empréstimos a empresas em
dificuldade financeira depois que uma série de gigantes como Casas Bahia, Braskem e Grupo Pão de Açúcar pediram recuperação
judicial (RJ) ou extrajudicial (RE).
Com a taxa de juros em dois dígitos, a onda não
deve arrefecer tão cedo, segundo especialistas.
No Santander, o setor responsável por
recuperações de companhias que faturam mais de R$ 80 milhões por ano aumentou
de 13 pessoas, em 2025, para 33, em 2026.
Outra instituição financeira de grande porte
relatou à Folha, em condição de anonimato, que não expandiu a equipe de
mais de cem pessoas dedicada a empréstimos com problema, mas incorporou às
análises ferramentas de inteligência artificial e de análise de dados que
permitem um diagnóstico mais preciso do quadro das empresas.
Esse banco monitora, por exemplo, o patrimônio
pessoal dos controladores das empresas em dificuldade.
O objetivo é reunir
provas para eventuais processos da desconsideração de personalidade jurídica,
que facilitem o ressarcimento por empréstimos não pagos.
Segundo o monitor da consultoria RGF Associados,
com base em dados da Justiça e da Receita Federal, 6.341 CNPJs estavam em
recuperação judicial ao fim de junho, um crescimento de 21,2% em 12 meses. Em
extrajudicial, havia 346 empresas, com uma alta de 38,4% no número de casos.
Entre as recuperações em andamento, a maior é a da Raízen, com mais de R$ 61 bilhões, aprovada em
julho deste ano. Também neste ano entraram com pedido de recuperação a Braskem, com cerca de R$ 56 bilhões em
dívidas, e Casas Bahia, com R$ 17,3 bilhões em aberto.
FOLHA DE SÃO PAULO