IPCA deve mostrar alívio pontual, mas pressões
persistem.
Nesta quinta-feira será divulgado o IPCA de
setembro e, segundo estimativa da SulAmérica Investimentos, o índice deve
avançar 0,52% no mês, refletindo principalmente a reversão do bônus de Itaipu
nas tarifas de energia elétrica residencial.
O indicador também deve capturar a
continuidade — ainda que em ritmo mais moderado — da queda dos alimentos in
natura, combinada à alta dos combustíveis e à reversão dos preços de ingressos
de cinema.
A composição de Serviços deve apresentar melhora
temporária, influenciada pela redução nos custos de seguros de automóveis.
Apesar deste efeito pontual contribuir para um quadro mais benigno no curto
prazo, as pressões subjacentes permanecem presentes, sustentadas por um mercado
de trabalho ainda apertado e por custos resilientes de mão de obra.
Na leitura da SulAmérica Investimentos, a projeção
para o IPCA de 2025 foi ajustada para 4,9%, incorporando revisões baixistas em
Alimentação no domicílio e Bens Industriais, em função de um câmbio mais
favorável.
Por outro lado, a estimativa para Bens Administrados foi elevada,
refletindo a mudança na projeção de bandeira tarifária — de verde para amarela
— nas contas de energia elétrica em dezembro.
Em linha com as sucessivas revisões baixistas ao
longo do ano, o Relatório Focus desta semana voltou a registrar recuo nas
projeções para o IPCA de 2025, passando de 4,81% para 4,80%.
As expectativas
nos últimos três meses seguem em trajetória de desaceleração, e agora a mediana
do relatório apresenta diferença de 0,3 p.p. em relação ao teto da meta de
4,5%.
No auge da desancoragem das expectativas neste ano, a mediana projetava
inflação de 2025 em 5,7%, com essa diferença chegando a 1,2 p.p.
Desta forma, uma melhora além do esperado na
composição do índice de setembro — especialmente nas aberturas de Serviços e
Serviços Subjacentes — pode reforçar o movimento de revisões baixistas nas
expectativas de inflação captadas pelo Boletim Focus nas próximas semanas.
Ainda assim, o quadro geral segue de inflação acima da meta, com fatores que,
em nossa avaliação, sustentam o cenário de estabilidade da Selic por um período
prolongado.
Destaques da semana
Brasil:
A agenda doméstica terá como destaque a divulgação
do IPCA de setembro.
• Segunda-feira: Relatório Focus; Balança Comercial
Semanal.
• Terça-feira: IGP-DI (setembro).
• Quarta-feira: FGV CPI IPC-S (1ª
semana de outubro); dados da Anfavea (setembro).
• Quinta-feira: IPCA (setembro).
Estados Unidos:
A semana será marcada pela divulgação da ata do
FOMC, indicadores de crédito e confiança, além de discursos de diversos
dirigentes do Fed. As divulgações de vários indicadores estão suspensas em
razão do shutdown.
• Segunda-feira (6): Discurso de
Jeffrey Schmid (Fed).
• Terça-feira (7): Discursos de Raphael
Bostic, Michelle Bowman, Stephen Miran e Neel Kashkari (Fed); Expectativas de
Inflação do Fed de Nova York (setembro); Crédito ao Consumidor (agosto).
• Quarta-feira (8): Discursos de
Alberto Musalem, Michael Barr e Kashkari (Fed); divulgação da Ata do FOMC.
• Quinta-feira (9): Discursos de
Jerome Powell, Bowman, Barr, Kashkari e Mary Daly (Fed).
• Sexta-feira (10): Discursos de
Daly, Austan Goolsbee e Musalem (Fed); Confiança do Consumidor da Universidade
de Michigan (outubro).
Europa
O foco estará em dados de atividade e confiança,
além de uma agenda intensa de discursos de dirigentes do Banco Central Europeu
(BCE).
• Segunda-feira: Discursos de
Luis de Guindos, Philip Lane e Christine Lagarde (BCE); Sentix – Confiança do
Investidor (outubro); Vendas no Varejo da Zona do Euro (agosto).
• Terça-feira: Encomendas à Indústria
da Alemanha (agosto); discursos de Joachim Nagel e Lagarde.
• Quarta-feira: Produção Industrial da
Alemanha (agosto); discursos de Jose Luis Escrivá, Madis Müller e Frank
Elderson (BCE).
• Quinta-feira: Balança Comercial da
Alemanha (agosto); discurso de François Villeroy (BCE).
Ásia:
Os destaques da agenda asiática recaem sobre dados
de atividade econômica e preços do Japão.
• Quarta-feira: Índice Econômico do
Japão (agosto).
• Quinta-feira: Conta Corrente do Japão
(agosto); Pedidos de Máquinas do Japão (setembro).
• Sexta-feira: Índice de Preços ao
Produtor do Japão (setembro).
SULAMERICA INVESTIMENTOS