COMPORTAMENTO


Por que algumas pessoas estão sempre atrasadas?

  • Chegar tarde não é necessariamente falta de respeito, mas um padrão de comportamento
  • Mudar esse hábito requer estratégias práticas e autoconhecimento

Mais do que um hábito que pode passar fatura na vida profissional e irritar os amigos, a falta crônica de pontualidade pode ser um traço de personalidade

Mas, de acordo com especialistas em comportamento humano, os atrasados crônicos não fazem isso de propósito ou porque não valorizam o tempo do outro — é um padrão realmente difícil de contornar. O que faz com que algumas pessoas sempre cheguem tarde?

Chego em cinco minutinhos

Um estudo da Universidade de San Diego, nos Estados Unidos, concluiu que os atrasados crônicos são mais otimistas ao calcular o tempo necessário para realizar cada tarefa. 

Os pesquisadores afirmam que essas pessoas têm outras características em comum: são positivas e criativas, mas também menos realistas e mais desorganizadas.

Autora de "Never Be Late Again" (nunca mais se atrase), a especialista em gestão do tempo norte-americana Diana DeLonzor vai além e afirma que há quem busque, consciente ou inconscientemente, a adrenalina provocada pela sensação de viver correndo.

Em tempos de notificações constantes e obsessão por produtividade, essa urgência acaba sendo naturalizada e até incentivada. 

O tempo nunca parece suficiente e, diante disso, muita gente passa a funcionar melhor sob pressão: o prazo apertado ajuda a focar, a correria traz certo estímulo, o estresse vira combustível.

Atraso seletivo

Pesquisadora britânica focada em entender o comportamento dos atrasados, e autora do livro "Late!" (atrasado), Grace Pacie descobriu que os atrasados conseguem, sim, chegar na hora quando sabem que sofrerão consequências —perder um avião, por exemplo. 

É na vida social, portanto, que descuidam dos horários, contanto com a tolerância de amigos, familiares, parceiros, entre outras pessoas.

Essa capacidade distinguir se um atraso é tolerável ou não leva a crer que mesmo quem vive chegando tarde pode melhorar a sua relação com o relógio. 

E o primeiro passo é justamente entender que mudar é possível.

O fato de os atrasados crônicos ficarem estigmatizados por isso acaba retroalimentando esse hábito, fazendo com que acreditem que isso é uma característica imutável. 

Por isso, vale evitar frases como "eu sou assim mesmo, não tem jeito"; ou "você nunca chega cedo, não adianta tentar".



FOLHA DE SÃO PAULO
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