Tarifa zero para diesel
Junte pressão externa por aumento no preço dos combustíveis com ano
eleitoral e você terá uma resposta: corte de tarifa.
O que aconteceu? O presidente Lula anunciou ontem medidas para reduzir
os efeitos da guerra do Irã sobre os preços dos combustíveis.
Tributos federais sobre o diesel foram zerados e incentivos financeiros
a produtores e importadores do óleo, concedidos.
O que motivou?
O governo temia o risco de uma greve dos caminhoneiros, que poderia ser
explorada pela oposição em pleno ano eleitoral.
• R$ 0,64 é a estimativa de
redução no preço do litro do diesel vendido na bomba.
• R$ 30 bi é o custo estimado
da medida até o fim do ano, segundo Haddad, ministro da Fazenda.
Quem paga a conta?
Os exportadores de petróleo. Foi criado um imposto temporário de 12%
sobre a venda da commodity. O governo diz que a taxa compensará a perda de
arrecadação.
Contexto: o preço dos combustíveis subiu após a escalada do conflito no
Oriente Médio. Uma parte do diesel
consumido no país é comprada e produzida pela Petrobras, que ainda não fez
reajustes no preço. A outra é importada por empresas privadas.
Com isso, há um efeito dominó: distribuidoras elevam os valores de venda
do combustível aos postos, que repassa isso para o consumidor final.
A Folha apurou que postos de ao menos quatro estados —Rio de Janeiro,
São Paulo, Minas Gerais e Paraná— estão pagando mais caro.
• 6,10% foi a alta registrada
na primeira semana de março.
Tem gente de olho. O governo Lula pediu que o Cade (Conselho
Administrativo de Defesa Econômica) investigue possíveis irregularidades que
possam ter provocado o aumento dos combustíveis.
Sim, mas... As medidas anunciadas não são suficientes para conter a alta
do preço do diesel, dizem membros do setor de transporte. Eles defendem a
isenção do ICMS dos estados. O tributo é o que mais pesa no preço final do
combustível.
FOLHA MERCADO