Ressaca do Copom
O Tesouro Nacional cancelou o leilão dos títulos NTN-B, papéis atrelados
à inflação. Para entender por que isso aconteceu, é preciso voltar algumas
casas.
🔄 Na semana passada, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco
Central anunciou a nova taxa básica de juros a 14,25% ao ano.
Efeito dominó. O colegiado reconheceu que houve crescimento econômico e
aumento na inflação, que está acima da meta de 3%. A diminuição de 0,25 ponto
percentual era esperada, mas sua justificativa não convenceu o mercado.
• A decisão afetou a percepção dos
analistas sobre a capacidade da autarquia de combater a inflação.
E qual o problema?
Os valores dos bens e serviços devem continuar
subindo. Por isso, é provável que a taxa de juros tenha que ser elevada no
futuro para evitar que a inflação fuja do controle, avaliam economistas.
É aqui que os títulos entram em cena. Se os investidores esperam juros
mais altos daqui a um tempo, os títulos já emitidos se desvalorizam.
Ninguém
quer pagar o preço cheio por um papel que rende menos do que aqueles que serão
emitidos mais tarde.
Para evitar perdas financeiras e maiores desvalorizações, eles venderam
em massa suas aplicações em NTN-B, e as taxas atreladas a esses investimentos
subiram.
Como o título promete um retorno fixo no vencimento, quanto menor o
valor pago por ele, maior a rentabilidade.
• Um exemplo: se você paga R$ 100 para
receber R$ 200 no futuro, pagar R$ 50 pelo mesmo retorno significa que o ganho
é muito maior.
• A taxa mede esse ganho: quanto menor for
seu gasto hoje pelo mesmo retorno, maior ela é.
Por isso, o Tesouro resolveu cancelar o leilão. Com poucos interessados,
seria necessário emitir NTN-B com retorno muito alto para chamar a atenção dos
investidores, o que sai caro para o governo.
[+] Quer saber mais sobre investimentos? Mostramos aqui a rentabilidade
do CDB, do CDI, da poupança e do Tesouro Direto com a nova taxa Selic.
G1