Desde domingo, dia 6, a Previdência Usiminas, fundo que é
detentor de 4,84% das ações ordinárias da Usiminas, está livre para se
desvincular do acordo de acionistas da siderúrgica mineira e colocar à venda
sua participação acionária. O fundo abriga funcionários da empresa na ativa,
aposentados e pensionistas, num total de 40 mil participantes.
Quando tomar a decisão de venda, o fundo terá de comunicar a
intenção aos dois principais acionistas do bloco de controle da companhia -
Nippon Steel & Sumitomo e Ternium - Techint -, a própria siderúrgica e os
demais acionistas. A opção está expressa no acordo de acionistas firmado em
janeiro de 2012, o qual vigora até 2031.
Conforme o documento, reescrito quando da entrada do grupo
ítalo-argentino Ternium-Techint no capital da empresa, a partir de 6 de
novembro de 2016 a CEU - antiga Caixa dos Empregados da Usiminas -, pode
anunciar sua retirada, fazendo uma notificação prévia de desvinculação do
acordo.
Pelo que ficou estabelecido no acordo, o fundo exercerá a
opção com base em certas condições de saída e venda. Não se trata de uma
obrigação da fundação, mas, se o fizer, terá de se desfazer de todas as ações -
34,1 milhões de papéis.
Procurada, a Previdência Usiminas informou que não comentaria
o assunto. Rita Rebelo Horta de Assis Fonseca, presidente da entidade, é também
membro do conselho de administração da Usiminas. Nippon Steel e Ternium, que
são controladores com direitos a veto, também não se pronunciaram.
Após receber a notificação, os acionistas de Usiminas terão a
opção - mas não obrigação - de adquirir o pacote de ações da Previdência
Usiminas. Nippon Steel e o grupo Ternium-Techint são considerados os mais
prováveis compradores de suas ações.
É praticamente certo, segundo avaliação, que haveria outros
interessados na participação e isso poderia elevar o valor das ações da
Previdência. A fundação tem direito a um assento no conselho de administração
da Usiminas.
Nas divergências entre Nippon e Ternium, votou contra a
destituição do presidente e dois vice-presidentes da Usiminas em 2014, votou a
favor do aumento de capital e pela reeleição de Sérgio Leite, em maio deste
ano.
Uma fonte do setor com conhecimento do caso disse ao Valor
que a entidade não fará, por enquanto, nenhuma movimentação de venda. Para
outro interlocutor, trata-se de uma oportunidade, pois a maioria dos fundos de
pensão estão saindo de renda variável. Acha que poderá fazer leilão das ações,
com ágio, numa provável disputa entre Nippon e Ternium pelos papéis. E que
seria saudável demonstrar independência perante a patrocinadora.
Segundo o acordo de acionistas, o preço por ação será
equivalente à média, ponderada pelo volume de negociações, das cotações de
fechamento dos últimos 40 pregões da Bovespa imediatamente anterior à data da
notificação de desvinculação. Quem desejar exercer a compra, terá o prazo de 60
dias. A partir daí, ao manifestar interesse, fica obrigado a levar a totalidade
dos papéis.
Entidade fechada de previdência complementar, a Previdência
Usiminas originou-se da fusão da Caixa dos Empregados da Usiminas-Caixa, criada
em 1972 pela siderúrgica, e da Fundação Cosipa de Seguridade Social (Femco),
criada em 1975 pela antiga Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa). A nova
denominação entrou em vigor em maio de 2012.
Na época, a entidade nasceu como o 16º maior fundo de pensão
do país por investimento, conforme informação em seu site. Seus patrocinadores
são a Usiminas e empresas do grupo, como Unigal, Usiminas Mecânica e Soluções
Usiminas. Conta com cinco planos de benefícios. No fim de dezembro, conforme
relatório anual, tinha investimentos consolidados, em valores absolutos, em
torno de R$ 8 bilhões - títulos públicos, créditos privados de depósitos,
ações, fundos de investimentos, empréstimos e investimentos imobiliários.
Em um dos planos, concentrados em ações, a maioria da
carteira é formada por papéis da Usiminas. Por isso, foi caracterizado
desenquadramento do fundo, passando de 10% previsto na lei. Com a
desvalorização da ação da Usiminas, no fim de 2015 recuou para 3,48%.
Até junho, a fundação detinha 6,75% do capital votante da
Usiminas. O percentual baixou porque decidiu não acompanhar o aumento de
capital da empresa de R$ 1 bilhão em ações ordinárias.
Valor