Prepare o bolso. Serão adicionadas despesas extras de R$ 985 bilhões à
conta de luz até 2050.
Os custos foram contratados pelo governo e não consideram os encargos
que aparecem todos os anos, como reajustes tarifários e correção da inflação.
↳ A título de comparação: o valor
equivale a seis vezes o orçamento anual do programa Bolsa Família e cinco vezes
o que é destinado ao Minha Casa, Minha Vida.
Já pesou. Em 2023, a conta de luz de uma família de classe média em São
Paulo, com um consumo médio de 200 kWh por mês, fechou em R$ 185. Em maio de
2026, o mesmo gasto energético passou a custar R$ 220, alta de 18,4%.
O que explica?
Gastos não previstos com o Tratado de Itaipu (acordo
assinado entre Brasil e Paraguai pelo uso da usina), prorrogação de benefícios,
incentivos a projetos renováveis e a contratação de fontes para suprir a falta
de geração em períodos do dia.
O megaleilão realizado pelo governo federal para contratar energia será
o item mais pesado na fatura.
No total, foram contratados 19 GW (gigawatts), o equivalente a 1,4 vez a
capacidade instalada da usina de Itaipu. O certame custou R$ 515,7 bilhões,
valor que será repassado em até 15 anos para o consumidor.
↳ As principais vencedoras foram
a Eneva, controlada pelo banco BTG, de André Esteves; a Âmbar, dos irmãos
Batista, da J&F; a Copel e a Petrobras.
☀️ A compra é fundamental para abastecer o sistema elétrico quando falta
energia, especialmente no início da noite. Neste momento, o sol fica mais
fraco, as placas solares param de funcionar e a demanda cresce.
Desde o leilão… Órgãos do setor e empresas participantes querem
suspendê-lo ou anular as etapas.
🔎 O TCU recebeu denúncias sobre o certame e investiga o processo. O órgão
apura possíveis irregularidades, como a vitória de companhias sem capacidade
técnica ou financeira e a participação de empresas de um mesmo grupo como
concorrentes independentes.
A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e a CNI
(Confederação Nacional da Indústria) criticaram a forma como o leilão foi
conduzido.
Sim, mas… Apesar das investidas, as usinas previstas para entrar em
funcionamento ainda em 2026 foram autorizadas pela Aneel (Agência Nacional de
Energia Elétrica).
• "O volume de 19 GW é excessivo e há
outras opções. Do jeito que está, o custo é muito pesado para a
indústria", diz Bruno Melo Lima, presidente da Federação das Indústrias do
Estado de Minas Gerais.
FOLHA MERCADO