O fim de uma investigação realizada pelos Estados
Unidos propôs um novo tarifaço sobre bens importados pelo Brasil. Para entender
a dimensão dessa história, é preciso voltar para a semana passada.
Flávio Bolsonaro chegou a Washington no dia 25, uma
segunda-feira, para um encontro com Donald Trump. A viagem foi no momento mais
delicado da pré-campanha.
Mensagens vazadas mostram a relação entre o filho
de Bolsonaro e o Daniel Vorcaro, que emprestou milhares de reais para ajudar na
produção de “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente.
• Quando as conversas
vieram a público, o dólar disparou e fechou a R$ 5,003 e a Bolsa caiu,
encerrando o pregão em 177.098 pontos. Relembre aqui.
No dia 26 de maio, a reunião aconteceu. O senador
disse ter pedido que as facções PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando
Vermelho) fossem classificadas como organizações terroristas pelo governo
norte-americano.
Primeira medida: o republicano acatou o pedido de
Flávio. Os EUA disseram que os grupos são facções violentas, com redes ilícitas
que operam além do Brasil e que ameaçam a segurança regional e americana.
Ainda não se sabe ao certo a extensão da medida e
como será usada na prática.
Segunda medida: a gestão Trump propôs uma nova onda
de tarifas de 25% sobre alguns produtos brasileiros. O anúncio ocorre após o
encerramento de uma investigação comercial contra o Brasil.
• Flávio afirmou que
enviou uma carta ao líder dos EUA pedindo para que as tarifas não sejam
impostas ao Brasil;
• Lula criticou o
adversário na eleição de 2026, chamado de traidor da pátria e imbecil.
… tarifas aqui
Como você já sabe, a principal investigação
comercial aberta contra o Brasil foi finalizada ontem.
Rebobinando… Em julho do ano passado, o USTR
(Escritório do Representante de Comércio dos EUA) iniciou uma apuração formal
contra o país, a pedido de Trump, para avaliar práticas nacionais em inúmeras
áreas, como comércio eletrônico e desmatamento.
A investigação tem como base a Seção 301 da Lei de
Comércio de 1974, que dá aos EUA poder para agir contra práticas comerciais
injustas que prejudiquem o comércio norte-americano.
A lista de acusações dos Estados Unidos contra o
Brasil é extensa e diz que o país:
• Reduziu tarifas
para Índia e México em alguns setores enquanto mantém taxas elevadas sobre
produtos americanos;
• Impôs encargos
"injustos" ao etanol produzido nos EUA.
• Não fiscaliza
efetivamente as leis e regulamentações ambientais, sem combater o desmatamento
ilegal.
O parecer também critica o Pix. Eles acusam o Banco
Central de favorecer o sistema de pagamentos em detrimento de empresas
americanas do setor financeiro.
Eles afirmam que o “duplo papel" do BC como
regulador e proprietário/operador do Pix cria um conflito de interesses.
A apuração foi favorável ao governo Trump e propõe
um novo tarifaço de 25% sobre bens exportados pelo Brasil.
O que será incluído? Máquinas, equipamentos,
produtos elétricos (como transformadores), madeira e manufaturados de madeira,
calçados e móveis, segundo estimativas de economistas e entidades empresariais.
• 21% das vendas
nacionais serão afetadas pela medida, segundo o ministro da Indústria e
Comércio, Márcio Elias Rosa.
• US$ 2,36 bilhões
foram faturados em vendas de máquinas e equipamentos para os EUA.
• US$ 1,24 bilhão
veio do setor de madeira e manufaturados.
Para o alívio de alguns produtores brasileiros,
mercadorias como frutas, café, carnes e minerais não serão taxadas. O governo
Trump quer evitar assim a escassez desses produtos no mercado interno, o que
poderia gerar inflação.
E agora?
Apesar do parecer negativo da investigação, a
tarifa ainda pode ser evitada. Brasília tentará convencer Washington de que as
sanções não são necessárias. O prazo legal para encerrar o processo termina em
15 de julho.
E mais: o país norte-americano concluiu mais uma
investigação no Brasil, essa sobre trabalho forçado. A tarifa aplicada nesse
caso será de 12,5%, mas não está claro se as penalidades seriam somadas.
Pela decisão, o Brasil está na categoria dos países
que, segundo o USTR, não proíbem a importação de produtos feitos com trabalho
forçado e também não fiscalizam efetivamente esse tipo de importação.
FOLHA MERCADO