PERSPECTIVA SEMANAL


Dados de atividade e inflação mais fortes tornam improvável corte de juros no curto prazo nos EUA.

No início do ano, as apostas do mercado financeiro eram de que haveria pelo menos mais dois cortes adicionais de 25 pb de juros nos Estados Unidos, com a taxa recuando dos atuais 3,50% para 3,00% a.a. 

No entanto, desde então, não apenas ocorreu o conflito no Oriente Médio — com seus reflexos nos preços de commodities como o petróleo —, mas também os dados de atividade e inflação vieram surpreendentemente fortes. 

Com isso, as chances de queda de juros neste ano diminuíram bastante.

A inflação segue elevada nos EUA, com a taxa de variação anual do CPI (Índice de Preços ao Consumidor) em 3,8%. 

Mesmo excluindo os componentes mais voláteis e que podem ter sido afetados por choques de commodities (como alimentação e bebidas), a variação do núcleo estaria em 2,8% A/A, bem acima da meta de inflação (de 2%) e em aceleração nos últimos meses — dado que a taxa era de 2,5% A/A em janeiro e fevereiro/2026.

Uma das razões pelas quais o FOMC (Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve, o Banco Central dos EUA) cortou juros no final de 2024 e em 2025 foi o receio quanto ao mercado de trabalho. 

Porém, desde o início do ano, os dados de criação de vagas (payroll) têm surpreendido para cima. Em 2025, houve criação média de apenas 10 mil postos de trabalho por mês. 

Já nos primeiros cinco meses deste ano, a criação média de empregos ficou em 114 mil por mês, sendo que a média dos últimos três meses está em 188 mil. 

Na divulgação inicial do mês de abril, o dado veio quase o dobro da mediana das projeções (115 mil contra 65 mil). 

O mesmo ocorreu na divulgação do mês de maio (172 mil contra 88 mil), somando-se a isso a revisão para cima nos dados dos dois meses anteriores (em mais de 92 mil). 

Esses números significativamente mais fortes reduzem bastante a urgência para a realização de cortes preventivos de juros.

Além desse cenário do mercado de trabalho, outros dados de atividade também têm surpreendido positivamente. 

O PIB norte-americano do segundo trimestre deve crescer cerca de 2,5% em termos anualizados, enquanto as projeções entre março e maio orbitavam entre 1,5% e 2,0%. 

Uma das razões para essa atividade mais forte é o comportamento dos consumidores, que têm diminuído sua taxa de poupança e mantido a expansão do consumo diante dos choques de preços. 

Outra razão é o boom de investimentos em frentes ligadas à inteligência artificial, como a construção de data centers.

Dessa forma, parece improvável que o FOMC volte a cortar juros no curto prazo. Nosso novo cenário para a taxa de juros americana prevê a manutenção do atual patamar de 3,50% a.a. até o final do ano.

Destaques da semana

Brasil

No panorama doméstico, os grandes destaques são a divulgação da inflação oficial (IPCA), da Pesquisa Mensal de Serviços e as leituras semanais de inflação e balança comercial.

•    Segunda-feira: Relatório Focus; IPC-S CPI (1ª semana de junho); Balança Comercial (1ª semana de junho).

•    Terça-feira: FIPE CPI (1ª semana de junho).

•    Quarta-feira: Pesquisa Mensal de Serviços (abril); Anfavea (maio).

•    Sexta-feira: IPCA (maio).

Estados Unidos

A agenda norte-americana destaca a divulgação de índices de inflação (CPI e PPI), dados da balança comercial, indicadores do setor imobiliário. Haverá também a decisão sobre a taxa de juros do Banco do Canadá (BOC).

•    Segunda-feira (8): FED NY - Expectativas de 1 ano (maio).

•    Terça-feira (9): NFIB - Confiança do Pequeno Empresário (maio); ADP Semanal; Balança Comercial (abril); Vendas de Casas Existentes (maio).

•    Quarta-feira (10): CPI (maio); decisão da taxa de juros do Canadá.

•    Quinta-feira (11): Pedidos de Seguro de Desemprego Semanal; PPI (maio).

•    Sexta-feira (12): Confiança do Consumidor da Univ. de Michigan (prévia de junho).

Europa

No continente europeu, o foco recai sobre a decisão da taxa de juros da Zona Euro, acompanhada por dados do Produto Interno Bruto (PIB) e produção industrial do Reino Unido, além de uma sequência de discursos de autoridades do Banco Central Europeu (BCE).

•    Segunda-feira: Confiança do Consumidor da Zona Euro (junho).

•    Terça-feira: Produção Industrial da Alemanha (abril).

•    Quinta-feira: Decisão da Taxa de Juros da Zona Euro.

•    Sexta-feira: PIB do Reino Unido (abril); Produção Industrial do Reino Unido (abril); CPI da Alemanha (abril); discursos de Martin Kocher, Olli Rehn e Joachim Nagel (BCE).

Ásia

A semana na Ásia apresenta a leitura do Produto Interno Bruto (PIB) do Japão, juntamente com um conjunto de índices de preços ao consumidor e produtor da China e do Japão.

•    Segunda-feira: PIB do Japão (1º trimestre de 2026).

•    Terça-feira: Pedidos de Máquinas do Japão (maio).

•    Quarta-feira: PPI do Japão (maio); CPI da China (maio); PPI da China (maio).

•    Sexta-feira: Produção Industrial do Japão (final de abril).



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