CRIMES VIRTUAIS


Golpes bancários dobram desde a chegada da IA generativa, mostram casos na Justiça

  • Ferramentas de IA driblam biometria, disparam mensagens em massa e tiram erros de ortografia
  • Casos de estelionato na Justiça de São Paulo disparam desde 2022

Os casos de estelionato na Justiça de São Paulo vêm crescendo ano após ano e mais do que dobraram desde que as plataformas de inteligência artificial generativa começaram a ser disponibilizadas, no fim de 2022. O dado consta de um levantamento feito pela plataforma Jusbrasil a pedido da Folha.

O crime de estelionato engloba as fraudes cometidas via Pix, que a Polícia Federal costuma classificar como "cangaço digital". 

No total das decisões dadas pelo TJ-SP (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo) sobre estelionato em 2025, os números saltaram de 1.073 para 2.270, um aumento em linha com o avanço no registro de boletins de ocorrência por fraudes bancárias.

Embora não seja possível estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre a IA e o aumento dos crimes na internet, empresas renomadas de cibersegurança, como Kaspersky e Crowdstrike, dizem detectar sinais claros do uso da tecnologia nas ações criminosas.

Entre os indícios estão o aumento da frequência de campanhas fraudulentas (a IA permite criar conteúdos em massa), o sumiço de erros ortográficos em mensagens (ela melhora os erros humanos), a atuação de quadrilhas do exterior no mercado brasileiro (deixa a tradução mais simples), o uso de deepfakes (os vídeos e áudios que simulam uma pessoa) e códigos de programação cada vez mais sofisticados.

Essa descrição coincide com processos consultados pela reportagem. Quadrilhas usaram IA para tentar burlar o reconhecimento facial de aplicativos, produzir anúncios falsos, clonar vozes e até roubar a identidade de famosos no chamado "golpe do amor", quando o criminoso simula um relacionamento afetivo para extorquir dinheiro da vítima.

Os dados evidenciam duas realidades, segundo o delegado da Polícia Civil do Piauí Alessandro Barreto. Ele afirma que as vítimas preferem buscar a responsabilização jurídica dos bancos para reaver os valores a procurar as autoridades policiais para solucionar o caso. "A pessoa consegue o ressarcimento e considera que resolveu o problema."

Ainda segundo Barreto, embora as polícias Civis e Federal tenham multiplicado as operações contra o crime na internet nos últimos anos, uma parcela pequena das ocorrências se desdobra em investigações, sobretudo devido à dificuldade de obter informações. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, as polícias no país solucionam apenas 2% dos casos de estelionato.




FOLHA DE SÃO PAULO
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