EDUCAÇÃO


Crescimento de faculdades de medicina sem critérios preocupa setor de saúde.

Quatro em cada dez faculdades abertas desde 2015 começaram por decisão judicial; especialistas apontam impacto na qualidade da formação e falta de vagas em residência.

O Ministério da Educação (MEC) puniu 53 cursos de medicina do país por desempenho insuficiente no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica de 2025. 

Quatro em cada dez faculdades de medicina criadas desde 2015 só começaram a funcionar por determinação da Justiça.

Os primeiros anos do curso são dedicados à sala de aula. 

À medida que avançam, os estudantes passam a ter contato direto com pacientes.

A Faculdade de Medicina do ABC, em Santo André, que está entre as mais bem avaliadas pelo MEC, forma 150 médicos por ano. 

O conteúdo aprendido nos livros é revisto e praticado no Hospital Estadual Mário Covas, que atende 13 mil pessoas por mês.

“A parte teórica não pode substituir a prática — nem aulas, nem inteligências artificiais, nem vídeos. Nada se compara à rotina de um hospital”, afirma Priscila Bogar, professora titular de otorrinolaringologia.

Desde 2013, o MEC condiciona a abertura de novas escolas de medicina ao programa Mais Médicos, com o objetivo de fixar profissionais em áreas com carência de atendimento.

Em 2014, 2017 e 2018, o MEC abriu consultas para criação de cursos ou aumento de vagas. 

Mas, logo após o edital de março de 2018, o governo federal suspendeu os processos por cinco anos.

Desde 2015, foram criados 123 cursos por decisões judiciais, o que representa 9.066 novos estudantes de medicina por ano.

Hoje, o Brasil tem 513 escolas de medicina — número inferior apenas ao da Índia, que tem uma população sete vezes maior.



G1
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