PERSPECTIVA SEMANAL


PEC 66 e retorno do IOF: manobras garantem meta “de jure”, mas não resolvem fragilidade fiscal

A última semana trouxe avanços importantes para o governo no front fiscal. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 66, que inicialmente tratava das dívidas de Estados e municípios, foi aprovada na Câmara dos Deputados e no primeiro turno do Senado — e passou a incluir uma mudança relevante no tratamento dos Precatórios federais.

O novo texto retira os Precatórios do limite de despesas do arcabouço fiscal e, para evitar a abertura de espaço para novos gastos, o relator incluiu uma trava que limita parte desse alívio. 

Na prática, trata-se de uma manobra técnica que viabiliza o cumprimento da meta fiscal “de jure” em 2026, ainda que o resultado primário real seja pior do que o prometido. 

A medida também resolve o impasse político do Orçamento de 2027, que será enviado em 2026 — sem essa PEC, haveria forte compressão de despesas, considerada inaceitável pelo Executivo.

Além disso, o STF autorizou o retorno do aumento do IOF (com exceção do risco sacado), restabelecendo a arrecadação adicional prevista. 

Para 2025, a combinação do IOF com receitas esperadas no setor de Óleo e Gás melhora a perspectiva de cumprimento da meta e até abre espaço para o desbloqueio de despesas (descontingenciamento).

Já para 2026, a alteração da meta deixa de ser necessária — pelo menos formalmente. 

Mas é importante destacar que a situação fiscal estrutural segue frágil: a dívida pública continua em trajetória de alta, sem sinais de reversão no curto prazo. A falta de medidas mais robustas de ajuste e o foco quase exclusivo em aumento de receitas mantêm o risco fiscal elevado. 

 No campo político, há indicações de que qualquer discussão mais profunda sobre despesas só ocorrerá após as eleições.
 

 

 

Destaques da semana: indicadores de atividade nos EUA; reunião do ECB na Europa; dados de inflação na Ásia e no Brasil

Nos Estados Unidos, a semana será marcada pelo discurso do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, e por uma série de indicadores sobre a atividade econômica e o mercado imobiliário. 

Hoje, terça-feira (22), o mercado acompanhará o Índice de Atividade do Fed de Richmond, as Vendas de Casas Existentes de junho e, principalmente, o discurso de Powell. 

Na quarta-feira (23), será a vez dos dados de Vendas de Casas Novas de junho. 

A quinta-feira (24) concentrará um grande volume de dados, com a divulgação do Índice de Atividade Nacional do Fed de Chicago, os importantes Índices de Gerentes de Compras (PMIs) preliminares de Manufatura e Serviços de julho, e os Pedidos Semanais de Seguro-Desemprego. 

Por fim, na sexta-feira (25), sairão os dados de Encomendas de Bens Duráveis de junho, um importante termômetro da atividade industrial.

Na Europa, o grande destaque da semana será a reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), na quinta-feira, com o mercado projetando a manutenção da taxa de juros. 

Na quarta-feira, será divulgada a prévia da Confiança do Consumidor da Zona do Euro para julho. 

A quinta-feira será o dia mais movimentado: além da decisão de juros e da coletiva de imprensa do BCE, serão liberados os PMIs preliminares de Manufatura e Serviços para a Alemanha, a Zona do Euro e o Reino Unido no mês de julho, fornecendo um panorama atualizado da saúde econômica da região. Para fechar a semana, na sexta-feira, a Alemanha divulgará o influente Índice IFO de Clima de Negócios, que mede a confiança empresarial na maior economia do bloco.

Na Ásia, as atenções estarão voltadas para a China e o Japão. 

A semana começa com o anúncio das taxas de juros de referência (LPR) da China de 1 e 5 anos na segunda-feira (21), uma decisão importante para o custo do crédito no país. 

O mercado projeta que a taxa de 1 ano fique em 3%, e a de 5 anos, em 3,5%.  No Japão, na quinta-feira, serão divulgados os PMIs preliminares de Manufatura e Serviços de julho. 

Já na sexta-feira, o foco será a Inflação ao Consumidor de Tóquio no mês de julho, um indicador antecedente crucial para a tendência de preços em todo o país e para as decisões de juros do Banco do Japão.

No Brasil, a agenda econômica estará centrada em dados de inflação e confiança. 

A segunda-feira traz, como de costume, o Relatório Focus, com as expectativas do mercado e os números da Balança Comercial semanal. 

Na quarta-feira, será divulgado o IPC-S da terceira semana de julho. 

O dia mais importante será a sexta-feira, com a publicação do IPCA-15 de julho, os dados da Conta Corrente de junho e a Confiança do Consumidor da FGV de julho.



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