MOMENTO CHAT GPT
“O momento ChatGPT da robótica chegou”, disse Jensen Huang,
fundador e CEO da Nvidia, a empresa com o maior valor de mercado atual, com
mais de 5 trilhões de dólares, fazendo analogia com o impacto causado pelo
lançamento do ChatGPT.
A robótica e a IA se desenvolveram em caminhos separados.
A
pesquisa em robótica se concentrou principalmente em sistemas mecânicos,
incluindo motores, juntas e algoritmos de controle.
Por outro lado, a pesquisa
em IA se concentrou em raciocínio e aprendizado em ambientes digitais,
incluindo grandes modelos de linguagem. Essa separação limitou o progresso na
robótica de propósito geral.
A IA avançou, nos últimos anos, com modelos capazes de gerar
texto, imagem, código e respostas em linguagem natural.
No entanto, uma nova
etapa passou a ganhar atenção: a IA física, isto é, sistemas de IA que não
apenas processam informações, mas também percebem o ambiente, raciocinam sobre
ele e agem no mundo real por meio de sensores, atuadores, robôs, veículos,
drones e outros dispositivos.
Se a IA generativa ampliou a produtividade no ambiente digital,
a IA física aponta para uma expansão da inteligência artificial em operações
industriais, logística, mobilidade, agricultura, saúde, serviços, atividades
domésticas e infraestrutura, além de abrir novas fronteiras científicas.
A IA física faz a convergência da IA, IoT, visão computacional e
robótica.
Em outras palavras, refere-se a sistemas inteligentes capazes de
perceber, entender e interagir com o ambiente físico, indo além de softwares
que operam apenas em telas ou servidores.
Diferentemente da IA tradicional, que
lida com dados digitais, a IA física precisa lidar com gravidade, atrito,
colisões, situações inesperadas e condições não estruturadas.
Para entender melhor a relevância da IA física, vale compará-la
com os outros dois tipos de inteligência artificial principais.
A primeira é a
IA generativa, focada em produzir conteúdos digitais, como texto, imagem, áudio
e código, como nos ensinou o ChatGPT em 2022.
A segunda é a IA agêntica,
voltada à execução de tarefas digitais com mais autonomia, em crescimento
vertiginoso na utilização de agentes autônomos atualmente. Já a IA física
aplica percepção, raciocínio e autonomia ao trabalho no mundo material.
Essa
está apenas começando em atividades midiáticas, vencendo competições
esportivas, fazendo malabarismos e nos espantando com a aparência humana,
enquanto se espalha pelas ruas em alguns países com os veículos autônomos.
Esse avanço também se conecta ao conceito de inteligência
espacial. Fei-Fei Li, nascida chinesa, mas naturalizada americana, uma das
cientistas de IA mais notórias da atualidade, argumenta que os modelos atuais
são muito fortes em linguagem, mas continuam limitados quando precisam
compreender espaço, contexto e relações físicas.
Li afirma que, por mais que os modelos de linguagem dominem o
texto, produzam código e gerem imagens, eles não entendem que o mundo tem três
dimensões.
Não sabem que a gravidade puxa os objetos para baixo, que a luz se
comporta de determinada maneira, que um braço robótico precisa calcular força e
equilíbrio para segurar uma xícara sem quebrá-la. Para Li, é a inteligência
espacial que representa a próxima fronteira da IA.
“A inteligência espacial vai
transformar a forma como criamos e interagimos com os mundos real e virtual,
revolucionando a narrativa, a criatividade, a robótica, as descobertas
científicas e muito mais”, diz a cientista.
O mercado de IA física pode atingir de US$ 500 bilhões a US$ 1,4
trilhão até 2035, com veículos autônomos representando quase metade desse
crescimento.
A implementação tende a começar com veículos autônomos e drones,
seguida por automação industrial e robôs humanoides de uso geral. A China
lidera a adoção, com mais de 85% das novas instalações de robôs humanoides em
2025, seguida pelos Estados Unidos.
Para lidar com a IA física, as engenharias Mecatrônica,
Elétrica/Eletrônica, Computação/Software e Mecânica são cruciais. Lamentável
que, no Brasil, o ensino de engenharia esteja tão pouco prestigiado.
Quando
acordarmos, mais uma vez o momento de estar alinhados com a tecnologia de ponta
terá passado. Poderemos usá-la , mas não participaremos do seu desenvolvimento.
MARCOS A. BUSSAB – diretor da faculdade de
Engenharia USC