Vamos continuar relatando os demais períodos da evolução das
práticas de atendimento até chegar aos nossos dias.
Renascimento e Idade Moderna: O Surgimento do
Consumidor. Expansão comercial, companhias de navegação e o atendimento como
estratégia.
Contexto: A expansão do comércio global durante os séculos XV e
XVI trouxe novas práticas de atendimento. Os mercadores precisavam compreender
as necessidades de mercados diversificados.
Exemplo: A criação das primeiras companhias de comércio,
como a Companhia das Índias Orientais, que institucionalizaram práticas de
atendimento ao cliente.
Fontes: Estudos sobre o comércio renascentista e obras como “The
Age of Exploration” de J.H. Parry.
A Revolução Industrial e o Atendimento em Massa:
Padronização, lojas de departamento e o atendimento como experiência planejada.
Contexto: No século XVIII, a Revolução Industrial transformou o
atendimento ao cliente, com a introdução de lojas de varejo e novos modelos de
consumo em massa.
Exemplo: O surgimento dos armazéns de departamentos no século
XIX, como o Le Bon Marché em Paris, que introduziu o conceito de experiência do
cliente.
Fontes: “The Birth of Consumer Society” de Neil McKendrick, John
Brewer e J.H. Plumb.
O Século XX e a Profissionalização do Atendimento: Call
centers, marketing, processos e o atendimento como disciplina organizacional.
Contexto: O século XX trouxe a profissionalização do atendimento
ao cliente com o avanço do marketing e da gestão empresarial. Empresas
começaram a adotar estratégias focadas na satisfação e fidelização.
Exemplo: A publicação de “Marketing Management” de Philip Kotler
e a criação de departamentos de atendimento ao cliente nas empresas.
Fontes: Obras de marketing, como as de Philip Kotler, e estudos
sobre história corporativa.
O Século XXI e o Atendimento Digital e Personalizado
Omnicanalidade, CRM, IA e o atendimento como presença contínua.
Contexto: Com a digitalização, o atendimento ao cliente evoluiu
para um modelo omnicanal, onde empresas utilizam inteligência artificial, redes
sociais e plataformas online para oferecer suporte personalizado.
Exemplo: O uso de chatbots, CRMs (Customer Relationship
Management) e automação no atendimento.
Fontes: Estudos contemporâneos de tecnologia e negócios, como
“Digital Transformation” de Thomas M. Siebel.
Podemos concluir que o atendimento ao cliente e às pessoas
evoluiu como uma resposta às necessidades de interação e troca nas sociedades
humanas.
Desde práticas rudimentares de reciprocidade como uma questão de
sobrevivência até estratégias digitais avançadas como componente de
diferenciação em um mercado altamente competitivo como o atual, mas com o
objetivo de sempre promover benefícios nas relações interpessoais para ambos,
clientes e profissionais de atendimento.
As informações obtidas pela pesquisa da IA evidenciaram e
confirmaram minhas conjecturas sobre o assunto e ‘dei asas à minha imaginação’,
buscando visualizar mentalmente como foram os primeiros atendimentos entre as
pessoas.
Situei as primeiras formas de atendimento no período em que as
tribos nômades se fixaram em determinadas regiões e começaram a produzir
excedentes alimentares, surgindo daí as primeiras formas de trocas (escambos)
entre as pessoas.
Visualizei em minha mente duas pessoas realizando as trocas,
busquei identificar os comportamentos que poderiam estar ocorrendo enquanto
‘negociavam’ as condições.
Se os comportamentos praticados por ambos foram
atenciosos, as trocas de informações foram verdadeiras e honestas, o produto
era realmente o que prometia ser e atendia às necessidades de ambas as
partes, logo se estabelecia uma relação de confiança e ocorria a
credibilidade entre eles que provavelmente se manteria por um bom tempo.
Ambos
saiam da troca realizada satisfeitos com suas necessidades e com a disposição
de realizar novas trocas.
Mas, ao contrário, se os comportamentos praticados por uma das
partes e até mesmo por ambas, foram manipulativos, as informações foram
parciais ou falsas e o produto não atendia tudo o que se esperava dele, as
relações entre eles não se mantinha e muito provavelmente um determinado nível
de desconfiança surgiria, trazendo até disposição para um conflito, podendo
mesmo chegar às ‘vias de fato’ e muito provavelmente a troca não se realizaria
ou, alternativamente, a parte que se sentisse lesada prepararia um novo
encontro ‘para dar o troco’ ou simplesmente não mais realizaria trocas com essa
outra parte.
Em minha especulação imaginativa, tive a sensação de que a
origem do atendimento se confundia com a própria origem da civilização e a sua
evolução continuou ocorrendo com a própria evolução do processo civilizatório,
conforme se confirmou depois das pesquisas realizadas.
Quanto mais complexas
ficaram as sociedades, mais complexo ficou o processo de atendimento a
clientes.
Voltando à nossa realidade atual e considerando o Atendimento a
Clientes como uma competência fundamental para o sucesso das organizações, e
não só, como também é indispensável para os profissionais liberais que atuam na
linha de frente junto aos Clientes.
Dentro desta lógica podemos afirmar que a competência da
organização é consequência das competências das pessoas e equipes de trabalho.
Se as organizações querem ter um atendimento competente é
preciso descrever estas competências de atendimento em termos bem específicos e
objetivos com intuito de preparar os profissionais de atendimento para o
exercício pleno de suas atribuições.
ANTONIO ZUVELA | consultor de empresas