De
piada a exemplo: o que o Brasil pode e deve aprender com o Paraguai
Durante
décadas, “paraguaio” era sinônimo de falsificado, barato, de baixa qualidade,
aqui no Brasil. Só que o jogo virou.
O Paraguai deixou de ser motivo de piada
para se tornar destino de investimentos, crescimento e, talvez, o mais
simbólico, fuga de talentos e capitais brasileiros.
Sim, cada vez mais
brasileiros vão para lá com suas empresas, seu dinheiro e sua qualificação.
A
pergunta é: o que o Paraguai fez de certo e nós não?
A
virada não aconteceu por acaso. O Paraguai não resolveu todos os seus problemas
– muito longe disso – mas conquistou o que poucos países da América Latina
conseguiram manter por muito tempo: estabilidade das regras do jogo econômico.
Ao
longo dos últimos anos, a economia do país se tornou mais previsível, com
regras mais claras e menos mudanças bruscas.
Em economia, previsibilidade cria
confiança e confiança atrai investimentos financeiros, que por sua vez geram
empregos e crescimento econômico.
Outro
ponto central foi a atitude em relação ao ambiente de negócios no país.
Enquanto o Brasil, geralmente, complica, o Paraguai simplifica.
Os impostos por
lá são muito mais baixos do que aqui, e o custo para abrir e manter uma empresa
é significativamente menor. O resultado é simples: mais empresas, mais
investimentos, mais crescimento econômico e maior melhoria da qualidade de vida
da população.
Não por acaso, o país vem crescendo cerca de 4% ao ano por duas
décadas, aproximadamente o dobro do Brasil no mesmo período, com inflação mais
baixa e contas públicas bem mais equilibradas.
Esse
conjunto de fatores permitiu que o Paraguai conquistasse o grau de
investimento, um selo que indica confiança para investidores internacionais, o
mesmo que o Brasil perdeu, em 2015, no governo Dilma Rousseff, e não
reconquistou até hoje.
Atualmente, estamos dois degraus abaixo deles nessa
classificação. Isso ajuda a explicar por que investidores estrangeiros hoje
compram títulos da dívida paraguaia em moeda local, algo que, há poucas
décadas, era impensável.
Talvez,
o sinal mais forte dessa mudança seja outro: o comportamento dos próprios
brasileiros em relação ao país. O Brasil já é o maior investidor estrangeiro no
Paraguai e essa participação continua crescendo.
Empresas e empreendedores
brasileiros estão cruzando a fronteira em busca de um ambiente de negócios mais
favorável para operar. Empregos e riqueza que poderiam ser gerados no Brasil,
acabam sendo gerados em nosso vizinho.
Nada
disso significa que o Paraguai virou um país perfeito. Ele ainda enfrenta
problemas importantes, como alta informalidade, pobreza significativa e
corrupção elevada.
A diferença é que, ao contrário de muitos países da região,
eles estão melhorando de forma consistente.
Se mantiverem o ritmo dos últimos
20 anos, vão alcançar indicadores melhores do que os do Brasil nas próximas
décadas.
A
grande lição aqui é simples, mas poderosa. Crescimento sustentável não vem de
soluções mágicas, mas de decisões consistentes ao longo do tempo: regras
estáveis, gastos públicos sob controle e um ambiente que, ao estimular quem
produz, gera riqueza para todos no país. Dinheiro vai para onde é bem tratado.
Talentos são atraídos para onde encontram oportunidades.
Infelizmente,
o Brasil tem feito exatamente o contrário disso e, por consequência, perdido
capitais, talentos e riqueza.
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RICARDO
AMORIM
| autor do bestseller Depois da Tempestade, o economista mais influente do
Brasil segundo a revista Forbes,