Medo
do medo.
Muitas
emoções entram em ação quando nos sentimos vulneráveis, segundo Wanderley
Cintra, psicólogo especialista em relações de trabalho.
A que grita mais alto é
o medo: de julgamento, de não satisfazer alguma liderança, de ter uma punição
financeira por não ter feito um bom trabalho. Às vezes temos até medo de deixar
o medo nos paralisar.
Ninguém
quer errar. Na opinião do profissional, as redes sociais exacerbam a impressão
de que ninguém no mundo erra —além de você, é claro.
•
"Tudo aquilo que é treino e é desgaste é escondido. Ou se é mostrado, tem
que dar certo. Não se mostra o processo em que se tenta e, no final, se
erra", explica Cintra.
•
O receio de começar algo novo vem do medo de não dominar aquilo, mesmo
tentando”.
Camuflagem.
O
sentimento de impotência é maior quando há pessoas observando o seu processo.
Quando começa em um novo emprego, por exemplo, há pressa para mostrar que você
aprendeu o que precisa para ser, de fato, uma peça útil naquela engrenagem. Há
pressa para atender as expectativas que você acha que existem sobre você.
Você
já parou para pensar se julga os outros por demorar a aprender? Às vezes somos
mais duros conosco do que com os colegas.
•
“Eu enxergo o comportamento do outro quando estou olhando de fora, mas tenho
dificuldade em olhar para mim, de me ver no lugar de iniciante. Nós punimos a
nós mesmos, mas quando vemos alguém sendo punido, muitas vezes abraçamos”,
analisa o psicólogo.
No
repeat. Acertar exige repertório de repetição. Disso você sabe, mas não tem
paciência para se lembrar da lição quando está ansioso para ser bom naquilo que
precisa fazer.
O
tempo, a correção e a autoexigência são componentes importantes na sua jornada
de gafanhoto a sensei. E como já mencionei, você vai se ver na estaca zero
várias vezes durante a carreira. Quanto mais rápido se acostumar a ter que
aprender e treinar, mais fácil será a jornada.
É
difícil ter paciência em tempos de ChatGPT, que resolve tudo em um piscar de
olhos. Acontece que o seu cérebro muito humano tem um tempo diferente e você
não vai escapar de ter que treiná-lo. Lembre-se de que mesmo a IA precisa de
treinamento —o que usamos é a versão dela depois de muito ensaio.
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“Perdemos a noção de que competência leva tempo”, afirma o profissional.
Restringindo
a visão. Uma forma de começar a ter mais paciência durante o processo de
aprendizagem é evitar a comparação com os outros. Fotos e vídeos são recortes
positivos publicados. Mesmo em conversas, tendemos a compartilhar apenas os
sucessos e deixar de lado o esforço. Olhe para o seu próprio progresso,
comparando resultados atuais com os anteriores.
Olhos
no espelho.
É
preciso também encarar de frente o medo da rejeição. Wanderley Cintra divide a
rejeição em tipos.
1.
A rejeição real é quando não há como relativizar. Você vendeu um projeto e sua
liderança negou a execução dele, por exemplo. É a mais dura, mas a mais fácil
de lidar. Existem critérios objetivos do porque aquilo aconteceu e é necessário
analisá-los para acertar da próxima vez. Bola para frente.
2.
Há também a rejeição inventada: eu, imaginando que posso ser rejeitado, não
faço meu melhor trabalho. Nessas horas, queremos controlar um evento final que
não é nosso. É uma defesa contra o medo de errar.
O
psicólogo indica que é necessário lembrar-se de que seu profissionalismo ou
capacidade de trabalhar não são definidos por erros de percurso. É quase
impossível chegar no acerto sem passar pelo erro.
A
frustração é a única forma de fortalecer nosso psicológico em busca de ser um
profissional melhor —respeitando os limites da saúde mental, claro.
FOLHA
CARREIRAS