Ansiedade – doença da
atualidade
A ansiedade moderna não nasce apenas do
excesso de tarefas, mas da ausência de sentido
O mundo moderno exalta o desempenho, mas esquece a virtude.
E são justamente as virtudes – humildade, paciência, fortaleza e
esperança – que estruturam a alma e curam a agitação interior.
O ansioso quer tudo já; o virtuoso aprende o ritmo da
eternidade. O ansioso teme o futuro; o homem de fé o
entrega nas mãos de Deus.
O ansioso multiplica os pensamentos; o homem prudente simplifica
a vida.
A humildade é o primeiro remédio.
Ela nos ensina a reconhecer que não somos o centro do universo.
A ansiedade nasce, muitas vezes, da ilusão de controle, da
crença de que tudo depende de nós. A humildade devolve-nos o equilíbrio.
Ensina-nos a fazer o possível e confiar o impossível a Deus.
A paciência é o segundo remédio.
Não a paciência passiva, resignada, mas aquela que nasce da fé.
Paciência é firmeza no tempo. É permanecer sereno quando o
coração quer correr.
É saber esperar o momento certo das coisas – e aceitar que os
frutos espirituais amadurecem lentamente.
A fortaleza é o terceiro remédio.
É a virtude dos que não se deixam abater pelo medo. A ansiedade
paralisa; a fortaleza liberta.
A vida espiritual não é ausência de provações, mas coragem para
atravessá-las com serenidade.
As dificuldades e as contradições – a cruz – fazem parte do
nosso caminhar. Elas nos forjam, nos amadurecem. Fugir do sacrifício é
condenar-se ao vazio de uma adolescência tardia.
E a esperança é o vértice de todas as
virtudes.
Ela ilumina o futuro, mesmo quando o presente é obscuro. O
desesperado vêo abismo; o esperançoso enxerga a travessia.
A esperança cristã não é ingenuidade, mas confiança lúcida no
amor de Deus.
Vivemos tempos de ruído e dispersão.
Mas a alma humana precisa de silêncio, de raízes e de
transcendência.
Não é possível vencer a ansiedade sem reencontrar o eixo da vida
interior.
O mundo promete
liberdade e entrega inquietação; Deus oferece cruz e devolve paz.
Talvez devêssemos
reaprender a arte de parar. De rezar.
De agradecer. De olhar o
céu e perceber que há um sentido para tudo.
A serenidade é fruto de
um coração reconciliado com o tempo e com Deus.
A modernidade nos
ensinou a correr; o Evangelho nos ensina a caminhar.
Carlos Alberto Di Franco | jornalista, artigo jornal O Estado de São Paulo (5/01/26)