É comum as Operadoras de Saúde terem dúvidas quanto à
comercialização de planos coletivos, sejam empresariais ou por adesão, e
entenderem a diferenciação dos riscos atrelados à sua tarifação. Abaixo, segue
um breve esclarecimento sobre as principais diferenças entre as duas
categorias: Existem dois tipos de
planos coletivos: os empresariais, que prestam assistência à saúde dos
funcionários da empresa contratante graças ao vínculo empregatício ou
estatutário; e os coletivos por adesão, que são contratados por pessoas
jurídicas de caráter profissional, classista ou setorial, como conselhos,
sindicatos e associações profissionais.
Uma
administradora de benefícios é uma empresa que assume parte do trabalho que
seria da empresa, conselho, sindicato ou associação profissional que contrata o
plano de saúde. Por exemplo, a administradora de benefícios tem a
responsabilidade de emitir boletos, de representar os beneficiários na
negociação de aumentos de mensalidade com a operadora do plano e, dependendo do
que for contratado, absorver o risco da empresa, conselho, sindicato ou
associação profissional contratante quanto à atraso ou não-pagamento de
mensalidades, para evitar que os beneficiários sejam prejudicados. Nesses
casos, a administradora de benefícios costuma receber um percentual do valor
das mensalidades pagas, de acordo com o que for negociado. Por outro lado, a
garantia de recursos e rede de serviços de saúde (hospitais, clínicas,
laboratórios e profissionais) para atender aos beneficiários é de total
responsabilidade da operadora.
Tanto operadoras de
planos de saúde quanto administradoras de benefícios são obrigadas a se
registrar na ANS para estarem autorizadas a funcionar. Isso garante que a ANS
acompanha as atividades delas e que elas obedecem a uma série de regras de
qualidade exigidas pela Agência. As operadoras de planos de saúde são obrigadas
a entregar: à pessoa contratante do plano: uma cópia do contrato contendo as
seguintes informações: prazos de carência, vigência do contrato, critérios de
reajuste, abrangência geográfica, tipo de acomodação (coletiva, em enfermaria,
ou individual, em quarto) e segmentação assistencial (cobertura ambulatorial,
hospitalar, odontológica, obstétrica); e a cada beneficiário: cópia do
regulamento ou condições gerais do plano, o Manual de Orientação para
Contratação de Planos de Saúde e o Guia de Leitura Contratual, ferramentas que
facilitam a compreensão de informações do contrato.
Rescisão
Nos contratos
coletivos, as condições de rescisão ou de suspensão de cobertura devem estar
previstas no próprio contrato. Mesmo assim, fora essas hipóteses, o contrato só
pode ser interrompido sem a concordância da empresa que contratou o plano de
saúde se acontecer fraude ou sem justificativa legal após 12 (doze) meses da
data da assinatura e desde que a empresa que contratou o plano seja avisada com
pelo menos 60 (sessenta) dias de antecedência. Além dos casos acima, um
contrato coletivo de plano de saúde pode ser interrompido especificamente para
um dos beneficiários desse plano nos seguintes casos:
• o beneficiário
titular deixar de ser empregado da empresa contratante (para demissão e
aposentadoria há regras específicas);
• o beneficiário
dependente deixar de ser dependente do titular do plano – nesse caso, o serviço
só poderá ser interrompido para o dependente.
Doenças pré-existentes
Se for um plano
coletivo por adesão (contratado por um sindicato ou uma associação), pode
acontecer cobertura parcial temporária (CPT). Isso significa que o plano de
saúde pode ou não cobrir, por até no máximo 24 meses, cirurgias, internações em
leitos de alta tecnologia (UTI/CTI) e procedimentos de alta complexidade
exclusivamente relacionados à doença ou lesão que o consumidor já tinha quando
adquiriu o plano de saúde. Após esses 24 meses, o plano de saúde fica obrigado
a cobrir todos esses atendimentos. Por outro lado, se for um plano coletivo
empresarial (contratado pela empresa para a qual a pessoa trabalha) com mais de
30 beneficiários e o consumidor tiver ingressado no plano em até 30 dias da
data da formalização do contrato do plano de saúde ou da vinculação desse
consumidor à empresa contratante, não poderá ocorrer cobertura parcial.
Carência
Nos planos
empresariais com número de participantes igual ou maior que 30, os
beneficiários que aderirem ao plano em até 30 dias da assinatura do contrato
não precisarão cumprir carência nem cobertura parcial temporária (CPT). Assim,
novos funcionários ou dependentes precisarão contar 30 dias de vinculação à
empresa que contratou o plano de saúde para ter direito a ingressar no plano.
Caso o ingresso no plano ocorra após esses períodos ou o plano empresarial
tenha menos de 30 participantes, a empresa que vende o plano de saúde poderá
exigir o cumprimento de prazos de carência.
Reajuste de mensalidades
Os planos podem ter
aumento quando acontecer mudança de faixa etária, de acordo com critérios
definidos pela ANS e, uma vez ao ano, por variação de custos, na data de
aniversário do contrato. Nos planos coletivos, o índice de reajuste por
variação de custos é definido conforme as normas contratuais livremente
estabelecidas entre a operadora de planos de saúde e a empresa que contratou o
plano. Esse reajuste deve ser comunicado à ANS pela empresa que vende o plano
no máximo até 30 dias após sua aplicação.
Fonte: site da Assistants Consultoria Atuarial