O que mais vão inventar para nos atormentar?

Diariamente, o telefone toca e você sai correndo do banho para atender. Há alguns anos, houve um período em que gravações de celebridades, como o cantor Moacyr Franco e o ator Francisco Cuoco, vendiam de suplementos nutricionais a planos funerários. São ligações invasivas que, por vezes, interrompem atividades de trabalho home office. Agora, voltaram com vozes anônimas, e várias delas vendem assistência à saúde. Por fatos assim, quem está no inferno é o consumidor brasileiro.

É lastimável ter de tratar disso na semana em que se comemora o Dia do Consumidor (15 de março, sexta-feira). As ligações não solicitadas continuam invadindo nossos espaços sem preocupação com horários (muito cedo ou bem tarde), nem com dias (inclusive no final de semana e em feriados). 

Não consigo imaginar qual a lógica que norteia estas ações. Jamais compraria um produto ou serviço ‘empurrado’ goela abaixo, de uma maneira desrespeitosa e afrontosa.


Ligações não solicitadas continuam invadindo nossos espaços sem preocupação com horários, nem com dias -

Além disso, lembro que as gravações são expedientes utilizados para fugir do bloqueio às ligações do telemarketing. O uso do jeitinho para nos infernizar. Um tapa na cara dos legisladores e especialistas que elaboraram o Código de Defesa do Consumidor, um dos melhores do mundo. Que, a propósito, entrou em vigor em março de 1991, portanto há 28 anos.

Essas contrapropagandas teriam de ser duramente combatidas pelas autoridades, dentre elas a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). Afinal, crime sem castigo parece compensar seus autores.

O fato de a legislação ser muito lenta em relação aos avanços tecnológicos, combinado à esperteza canhestra de muitos, contribui para irritar consumidores que já são assediados por telemarketing convencional e por ligações de robôs.

Esses robôs (programas usados por empresas de telemarketing), por sua vez, ligam para vários telefones. Quando você atende, a ligação geralmente cai. Como são feitas várias chamadas, a ligação só se completa para os primeiros a atendê-las. O que mais vão inventar para nos atormentar?

Maria Inês Dolci - advogada especialista em direitos do consumidor, foi coordenadora da Proteste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor).

Fonte: coluna jornal FSP

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