Simone de Beauvoir cunhou a expressão 'Não se nasce mulher: torna-se mulher'

Nos meus 16 anos li “O segundo sexo”, livro que mudou decisivamente o rumo da minha vida. Desde então, li e reli incontáveis vezes todos os livros de Simone de Beauvoir. 

Na minha conferência para professora titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 2015, citei um trecho de “Memórias de uma moça bem-comportada”, livro em que Simone de Beauvoir retratou sua infância e juventude. 

A escritora francesa Simone de Beauvoir em foto para a revista "Time", em 1956

 

“Por que resolvi escrever? Temia a noite, o esquecimento; o que eu vira, sentira, amara, era-me desesperante entregá-lo ao silêncio. Comovida com o luar, aspirava logo a uma caneta, a um pedaço de papel e a saber utilizá-los. Escrevendo uma obra tirada da minha história, eu me criaria a mim mesma de novo e justificaria a minha existência.”

Se eu estava condenada a ser “uma moça bem-comportada”, a obra de Simone de Beauvoir me transformou em “uma antropóloga mal comportada”. Ela foi a minha maior inspiração para pesquisar e escrever de um jeito menos convencional dentro do mundo acadêmico. 

Em “A força da idade”, Simone de Beauvoir revelou que, além da ânsia pela liberdade, tinha uma “obstinação esquizofrênica pela felicidade”.

“Em toda a minha existência, não encontrei ninguém que fosse tão dotada para a felicidade quanto eu, ninguém tampouco que se prendesse a isso com tamanha obstinação. Logo que a toquei, tornou-se minha única preocupação.”

Desde muito cedo descobri que seria por meio da escrita que encontraria o significado da minha existência. E que eu também tenho uma verdadeira obstinação pela felicidade. Em tudo o que pesquiso e escrevo a minha maior preocupação é sempre a mesma: buscar uma forma de ser mais livre e feliz. 

Simone de Beauvoir defendeu que: “Não se nasce mulher: torna-se mulher”. Seus livros me fizeram compreender que ninguém nasce livre: torna-se livre!

Desejo a todos vocês um Feliz 2019, com muitos livros inspiradores. 

 

Mirian Goldenberg - antropóloga e professora da Universidade Federal do Rio, é autora de "A Bela Velhice".

Fonte: coluna jornal FSP

 

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