Passei meu 1º Carnaval de rua desabando no bar
- Não vi a banda passar por uma única razão: eu sou alcoólatra
- Se bebo, vou até o fim; nesta noite dormi com cerveja na mão
"Mas você não conseguia intercalar a cerveja
com água ou Coca-Cola, que você gosta tanto hoje em dia?", um amigo me
perguntou no último final de semana, enquanto falávamos de Carnaval e porres.
Bem, de início eu até era capaz de ir pegando leve,
mas quando começava a ficar bêbada, queria me entregar cada vez mais para
aquela sensação e adeus águas e Cocas.
E nunca sentava em uma mesa de bar para
comer, no máximo roubava um amendoim de algum pratinho.
Ao recordar essas
ocasiões, lembrei daquele que era meu bar favorito, e com essa memória vieram
algumas situações.
Foi lá que vivi meu primeiro Carnaval de rua. O
esquenta, pelo menos. Eram onze da manhã e todo mundo já estava com uma cerveja
na mão. Tinha, claro, o balde de garrafinhas de água —eu peguei uma e deixei
metade em algum canto.
Meu negócio era a cerveja, que ficava cada vez mais
gelada. Ideal para a Alice daqueles tempos. A banda começou a tocar marchinhas.
Eu estava toda produzida, fantasia, maquiagem… Parecia tudo perfeito.
Com o passar das horas, a banda seguiu sua rota e,
com ela, parte dos integrantes do bloquinho. Só que eu fiquei sentada por lá,
totalmente alcoolizada.
A cena era de uma menina em uma mesa com alguns amigos
e alguns estranhos, cercada de muitas, mas muitas, garrafas de cerveja. E uma
chuva de confetes e serpentinas coladas no corpo, na mesa, no copo...
O balde com as garrafinhas de água tinha sumido.
Não que eu tivesse alguma intenção de pegar uma, mas sempre havia alguém ao meu
lado que queria. Que coisa chata, eu pensava, tomar água agora?
A tarde foi caindo e eu também. Não conseguia mais
ficar sentada direito. Vira e mexe desabava no chão e alguém vinha me acudir. O
pessoal que havia chegado comigo às onze já tinha vazado. Só sobrei eu,
fantasiada e mendigando mais cerveja.
Os garçons e o dono do bar me conheciam e,
desolados, não queriam me ver naquele estado. Então começaram a me servir muito
espaçadamente.
As pessoas no bar iam se renovando, já tinha chegado gente para
o turno da noite e a minha intenção era emendar. Mesmo porque já estava na
inércia, não me passava pela cabeça tomar outro tipo de atitude.
Com a escassez da bebida, fui murchando e peguei
meu rumo para casa. Morava muito perto e fui andando, sabe-se lá como. Meu
celular tocou assim que entrei em casa.
Era o Gustavo, um cara que eu tinha
conhecido na faculdade. Ele estava me convidando para um chope. Não pensei duas
vezes: aceitei, peguei uma cerveja na geladeira e fui me arrumar…
Não consegui.
Capotei no sofá. E, como sabemos, depois de um porre, o sono não é exatamente
leve. Eu chapava e só acordava tempo depois.
Foi o que aconteceu naquela noite. Dormi com a
cerveja na mão. Meu cachorro deitou ao meu lado. Acordei de madrugada. O
celular registrava mais de dez chamadas do Gustavo. Nunca mais vi o rapaz, até
tentei procurar na faculdade, mas nada. E ele não respondeu mais minhas
mensagens. Mais um perdido que eu dei por conta da bebida.
Não fui, não bebi água, não vi a banda passar por
uma única razão: eu sou alcoólatra. Se bebo, vou até o fim.
ALICE S. – Blog Vida de Alcoólatra